Vivemos hoje um verdadeiro desgoverno federal. Sei que muitos leitores desta coluna poderão me rotular de bolsonarista ou de crítico gratuito do governo Lula. No entanto, deixo claro: não nutro simpatia por Jair Bolsonaro nem por diversos de seus métodos de governo. Ainda assim, reconheço que, em certos aspectos, sua gestão foi significativamente superior à atual administração do Palácio do Planalto.
Estamos diante de um governo que, passados dois anos e quatro meses de mandato, ainda não apresentou uma única realização concreta. A inércia é visível. O Partido dos Trabalhadores transformou a corrupção no Brasil em um mecanismo sistêmico. Não se trata de afirmar que a corrupção seja exclusividade da sigla, mas sim que, sob sua gestão, ela se institucionaliza, passando a fazer parte da estrutura de governança.
Um exemplo alarmante: segundo a Controladoria-Geral da União, 742.389 beneficiários do INSS registraram pedidos de desconto associativo no primeiro semestre de 2024, realizados por meio dos canais de atendimento do próprio INSS. Desses, 95,6% não haviam autorizado os descontos feitos por associações em suas folhas de pagamento. Inacreditavelmente, o INSS tinha pleno conhecimento dessas irregularidades.
Mais grave ainda: o ministro Carlos Lupi foi alertado sobre o problema dez meses antes de o governo começar a tomar providências. Isso é uma prova concreta de que a corrupção, sob a gestão do Partido dos Trabalhadores, é ignorada ou mesmo tolerada por conveniência política. Lula, evidentemente, não afastará Lupi do ministério para não comprometer o apoio do PDT, partido ao qual o ministro está diretamente vinculado.
Aos que defendem cegamente este governo, lanço um desafio: apontem uma única realização significativa desta gestão. Mesmo as políticas voltadas às chamadas “minorias” e populações vulneráveis são meras reciclagens de práticas antigas, datadas de 2008, que já naquela época mostravam baixa eficácia.
É imperativo que o presidente se reinvente — ou, caso contrário, reconheça o fracasso de sua gestão.
No último final de semana, ficamos estarrecidos com o que foi apelidado de “caravana da alegria”: uma comitiva do governo brasileiro que viajou ao Vaticano para representar o país nos funerais do papa Francisco. A presença do presidente, de sua esposa e do ministro das Relações Exteriores seria legítima e esperada. No entanto, o número excessivo de integrantes e o tom festivo da comitiva apenas reforçam o distanciamento entre a elite política e a realidade do povo brasileiro.
É cada vez mais difícil não tecer críticas contundentes. A gestão marcada pelo compadrio e pela corrupção sistematizada, marca registrada do Partido dos Trabalhadores sempre que assume o poder, já deveria ter sido superada. O que vivemos hoje é a repetição de um filme antigo — e nauseante.