Este artigo nasce de um fato concreto. Em um Talks recente, Paulo Leite afirmou que pessoas da direita teriam criticado uma possível intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e citou Marine Le Pen como exemplo. Eu respondi que Marine Le Pen não é de direita. A reação dele e de Rodrigo Lopes foi de discordância. O objetivo deste texto é explicar, de forma direta, por que essa classificação não se sustenta.
A confusão começa quando “direita” passa a significar apenas oposição à esquerda cultural ou ao progressismo. No sentido clássico e liberal, a direita está associada a Estado limitado, liberdade econômica, propriedade privada, livre comércio, responsabilidade fiscal e limites claros ao poder político. Esses critérios permitem separar discurso identitário de posição ideológica consistente.
Quando se observa a agenda de Marine Le Pen, o afastamento desses princípios é evidente. Sua proposta econômica é baseada em protecionismo, rejeição a privatizações, crítica ao livre comércio e ampliação do papel do Estado como agente central da economia. O chamado “patriotismo econômico” que ela defende depende de intervenção estatal, escolha política de vencedores e uso do gasto público como instrumento de organização social. Isso não corresponde à tradição liberal da direita.
O nacionalismo também precisa ser tratado com cuidado. Defesa de soberania não é, por si só, direita liberal. No caso de Le Pen, soberania significa fortalecimento do Estado, restrição econômica e subordinação das liberdades individuais a um projeto político nacional. Esse modelo entra em conflito direto com a lógica liberal, que vê o Estado como meio — e não como fim.
Há ainda o componente populista. A própria Marine Le Pen já afirmou que seu movimento não é de direita, nem de esquerda. Essa definição reflete uma estratégia que rejeita o eixo liberal clássico e substitui princípios institucionais por apelo direto ao eleitorado, com centralidade no poder político.
Por isso, usar Marine Le Pen como referência de direita em debates sobre política internacional, Venezuela ou Estados Unidos é um erro conceitual. Ela não defende mercado livre, não propõe Estado limitado e não compartilha os fundamentos da direita liberal. Classifica-la como “de direita” pode ser comum no debate público, mas mistura liberalismo com estatismo nacionalista. São projetos distintos e incompatíveis.
Marine Le Pen não é direita: é estatismo com bandeira nacional
Este artigo nasce de um fato concreto. Em um Talks recente, Paulo Leite afirmou que pessoas da direita teriam criticado uma possível intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e citou Marine Le Pen como exemplo. Eu respondi que Marine Le Pen não é de direita. A reação dele e de Rodrigo Lopes foi de discordância. O objetivo deste texto é explicar, de forma direta, por que essa classificação não se sustenta.
A confusão começa quando “direita” passa a significar apenas oposição à esquerda cultural ou ao progressismo. No sentido clássico e liberal, a direita está associada a Estado limitado, liberdade econômica, propriedade privada, livre comércio, responsabilidade fiscal e limites claros ao poder político. Esses critérios permitem separar discurso identitário de posição ideológica consistente.
Quando se observa a agenda de Marine Le Pen, o afastamento desses princípios é evidente. Sua proposta econômica é baseada em protecionismo, rejeição a privatizações, crítica ao livre comércio e ampliação do papel do Estado como agente central da economia. O chamado “patriotismo econômico” que ela defende depende de intervenção estatal, escolha política de vencedores e uso do gasto público como instrumento de organização social. Isso não corresponde à tradição liberal da direita.
O nacionalismo também precisa ser tratado com cuidado. Defesa de soberania não é, por si só, direita liberal. No caso de Le Pen, soberania significa fortalecimento do Estado, restrição econômica e subordinação das liberdades individuais a um projeto político nacional. Esse modelo entra em conflito direto com a lógica liberal, que vê o Estado como meio — e não como fim.
Há ainda o componente populista. A própria Marine Le Pen já afirmou que seu movimento não é de direita, nem de esquerda. Essa definição reflete uma estratégia que rejeita o eixo liberal clássico e substitui princípios institucionais por apelo direto ao eleitorado, com centralidade no poder político.
Por isso, usar Marine Le Pen como referência de direita em debates sobre política internacional, Venezuela ou Estados Unidos é um erro conceitual. Ela não defende mercado livre, não propõe Estado limitado e não compartilha os fundamentos da direita liberal. Classifica-la como “de direita” pode ser comum no debate público, mas mistura liberalismo com estatismo nacionalista. São projetos distintos e incompatíveis.
