Com a proibição das casas de apostas (as ‘bets’) a partir da próxima segunda-feira (5/10), o Governo de Minas, por meio da Cemig e da Codemge, anunciou que irá patrocinar os três principais clubes de futebol da capital mineira: América, Atlético e Cruzeiro. Serão investidos R$ 32 milhões no total, sendo R$ 15 milhões para o Atlético, R$ 15 milhões para o Cruzeiro e R$ 2 milhões para o América, com o contrato válido pelo prazo de um ano.
O termo de intenção entre o Governo de Minas e os clubes foi assinado nesta terça-feira (29/9). Segundo o governador Mateus Simões, os contratos individuais com os três clubes da capital devem ser formalizados ao longo desta semana.
A iniciativa, segundo o governo estadual, busca oferecer uma alternativa financeira aos clubes diante da mudança nas regras para o patrocínio de empresas de apostas.
Valor considera patrocínios anteriores
Para chegar aos R$ 32 milhões, o Governo de Minas afirmou que considerou dois parâmetros. Um deles foi o valor que as casas de apostas pagavam anteriormente aos clubes. O patrocínio estadual representa aproximadamente um terço desses montantes.
O governo também utilizou como referência o modelo adotado no Rio Grande do Sul, onde o Banrisul patrocina os principais clubes do estado, Grêmio e Internacional.
Como o valor destinado pelo Estado é inferior ao que era pago anteriormente pelas bets, Cemig e Codemge não devem ocupar necessariamente o espaço de patrocinador master nas camisas. As empresas estatais deverão aparecer em outras áreas dos uniformes, como mangas e ombros.
Ainda não está definido qual marca ocupará o espaço principal das camisas dos três clubes ou mesmo se haverá um novo patrocinador nessa posição.
Simões critica bets e condução da medida federal
Durante o anúncio, realizado em coletiva de imprensa, Mateus Simões fez críticas às casas de apostas e defendeu a necessidade de enfrentar os impactos provocados pelo setor. O governador também lembrou que Minas Gerais já havia adotado medidas para restringir a publicidade de bets em espaços e eventos públicos estaduais.
Ao mesmo tempo, Simões criticou a forma como o governo federal conduziu a nova medida que impede a presença das empresas de apostas como patrocinadoras dos clubes. Segundo o governador, a mudança ocorreu de maneira abrupta e não houve tempo suficiente para que as equipes se adaptassem.
Na avaliação apresentada por Simões, os clubes foram surpreendidos pela perda dos patrocinadores e precisaram buscar rapidamente novas fontes de receita. O apoio financeiro do Estado seria, nesse contexto, uma forma de auxiliar as equipes durante o período de transição.
Governo defende futebol como atividade econômica
Outro argumento utilizado pelo governador para justificar o patrocínio é o impacto econômico do futebol. Para Simões, a atividade não deve ser tratada apenas como uma manifestação de paixão ou entretenimento.
O governador afirmou que o futebol movimenta recursos, gera empregos e envolve empresas e diferentes setores da economia. A avaliação foi apresentada como uma das justificativas para a participação de Cemig e Codemge no modelo de patrocínio aos clubes.
Com o acordo, o Governo de Minas passa a ocupar temporariamente o espaço deixado pelas empresas de apostas como fonte de patrocínio para Cruzeiro, Atlético e América. A manutenção do apoio após o fim do ano, no entanto, dependerá de novas negociações.
*Rodrigo Samuel: estagiário sob supervisão do editor Lucas Rage