Pacheco sai da toca

Siga no

Gov.br / Reprodução / Youtube

Compartilhar matéria

Rodrigo Pacheco, até aqui um senador conhecido pela discrição e pela postura institucional, resolveu trocar a toga política pelo palanque. E fez isso em grande estilo: em Contagem, ao lado de Lula, em um evento que parecia menos uma solenidade e mais um lançamento informal de campanha ao governo de Minas.

O tom foi inflamado. Pacheco disse que brasileiro que foge do país para trabalhar contra a própria pátria é “traidor”, e ainda cravou que a bandeira nacional não pode ser “pano para enxugar suor de fascista”. Ora, para quem sempre cultivou uma imagem de equilíbrio, a mudança de registro é significativa. Não foi discurso de senador, foi discurso de candidato.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A força de Minas

Minas sempre foi palco central da política nacional. Quem vence aqui, quase sempre, ganha força em Brasília. Lula sabe disso e, ao abençoar Pacheco como seu candidato ao governo, tenta costurar uma aliança que já nasce musculosa, ter Marília Campos, prefeita de Contagem, como vice, significa agregar base social e eleitoral do PT em um colégio eleitoral estratégico.

Pacheco, por sua vez, tenta mostrar que não é apenas um político técnico, mas que sabe falar a linguagem da militância e do palanque. Seu discurso contra os “fascistas” e em defesa da bandeira é simbólico, é um recado direto ao bolsonarismo, que em Minas tem força considerável.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O alvo implícito do movimento é Romeu Zema, que já ensaia passos em direção à disputa nacional e que ainda sonha em manter o domínio do Novo no estado. Pacheco e Lula jogam juntos para frear esse avanço. Ao mesmo tempo, mandam um recado, a disputa pelo Palácio Tiradentes será dura, polarizada e com tintas nacionais.

Ao deixar a posição de mediador e vestir a pele de candidato, Pacheco arrisca perder parte da aura de “estadista” que lhe rendia respeito no Congresso. Mas, em política, neutralidade não ganha eleição. O senador percebeu que, se quiser se viabilizar em Minas, precisará subir o tom, e foi exatamente o que fez em Contagem.

O jogo está lançado. Minas será mais uma vez laboratório do país. De um lado, Lula tentando consolidar sua base e garantir um aliado de confiança no estado; de outro, Zema e a oposição buscando se firmar como alternativa. Pacheco, enfim, saiu da toca. Resta saber se sua voz inflamada ecoará até outubro de 2026 ou se ficará restrita ao calor do palanque.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Compartilhar matéria

Siga no

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de 98

Marília Campos faz aceno a Pacheco em evento em Contagem: “representa Minas Gerais no Senado”

O que o nariz de um rei tem a ver com o gol de futebol

LinkedIn, Insta, TikTok: cada rede fala diferente

Como usar a restituição do IR de forma inteligente

EAD funciona? A resposta é mais complexa do que parece

Erros de imagem que podem custar suas vendas

Últimas notícias

Marília Campos celebra investimentos e defende revisões fiscais durante evento com Lula em Contagem

Especulado no Atlético, Jorge Sampaoli tem conversas com clube da Turquia

‘Traidor da pátria’, diz Pacheco sobre brasileiro que trabalha contra o país no exterior

‘O Brasil não quer ser tratado como moleque’, diz Lula sobre tarifaço dos EUA

Oito pessoas continuam foragidas após megaoperação da Polícia Federal

Lula diz que ‘não tem pressa’ para aplicar reciprocidade contra os EUA

CRLV 2025 passa a ser exigido a partir de 1º de setembro em Minas

Champions League: time do Cazaquistão encara Real Madrid e jogadores vibram com sorteio

Cuca fora do Atlético: qual é o nome ideal para assumir o cargo?