A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) estabeleceu o prazo de março para a normalização integral dos repasses correntes aos hospitais filantrópicos da capital. O compromisso foi firmado durante uma reunião emergencial realizada no final da tarde desta quarta-feira (7/01). O encontro contou com representantes do Executivo Municipal e a Federassantas, entidade que representa as Santas Casas e hospitais Filantrópicos de BH.
Na reunião, o município também se comprometeu a regularizar todo o passivo de dívidas em atraso até o final de fevereiro.
O encontro marcou um avanço no diálogo institucional, contando com a presença da presidente da Federassantas, Kátia Rocha, do prefeito em exercício — Juliano Lopes (Pode) — e de secretários das pastas de Saúde, Fazenda e Governo. Durante a reunião, foi anunciado o repasse imediato de R$ 29 milhões para as instituições. Valor se soma aos R$ 25 milhões, repassados aos hospitais na terça-feira (6/01).
Segundo Kátia Rocha, este movimento foi decisivo: “A reunião simbolizou um marco fundamental nessa história dos atrasos, porque o município trouxe compromissos junto a esses hospitais. Estabelecemos um diálogo institucional permanente” afirmou, em entrevista exclusiva à Rede 98.
Situação de alerta e endividamento
Apesar do fôlego financeiro recente, que ajudou a afastar o risco de um colapso imediato, a situação das instituições ainda é considerada crítica. Para manter o atendimento 100% SUS durante o período de falta de recursos, os hospitais precisaram recorrer a medidas extremas para garantir o funcionamento básico.
“Importante dizer que todos os hospitais para suportarem esse atraso se endividaram, seja junto a bancos, junto a fornecedores. Então, vivemos um estado de alerta. É importante viver um dia após o outro”, reforça Kátia.
Sofia Feldman entre os mais impactados
Um ponto de atenção especial mencionado foi o Hospital Sofia Feldman, que, mesmo com os novos valores, ainda não recebeu o suficiente para honrar a integralidade da folha de pagamento de seus trabalhadores.
Previsibilidade e diálogo permanente
Além da quitação das dívidas, a PBH prometeu fornecer um cronograma semanal e mensal de pagamentos, garantindo previsibilidade para que os gestores possam planejar o saneamento de suas dívidas internas. Kátia Rocha enfatizou a relevância da presença do alto escalão da prefeitura na mesa de negociações para viabilizar essas soluções.
“Tivemos todo o alto escalão do município para dialogar e para estabelecer esses compromissos com os nossos hospitais. Isso eu acho que a gente precisa valorizar porque já podíamos ter vivenciado esse momento e no entanto tivemos o compromisso de que teremos outros momentos de diálogo”, afirmou a presidente.
Um novo encontro entre a prefeitura e os representantes dos hospitais já está agendado para o mês de fevereiro para acompanhar o cumprimento dos acordos e garantir a manutenção das atividades essenciais de saúde na capital.