O governo federal anunciou nesta segunda-feira (18) um pacote de R$ 209 milhões para ações de combate ao crime organizado na Amazônia e em áreas de fronteira do país. As medidas fazem parte do programa “Território Seguro, Amazônia Soberana”, lançado em Manaus pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
O plano prevê operações de repressão a facções criminosas, ações de inteligência, retomada de territórios dominados por organizações criminosas e projetos de prevenção social em regiões consideradas estratégicas pelo governo.
Segundo o Ministério da Justiça, mais de 40% dos municípios da Amazônia registram presença de grupos criminosos organizados.
Plano prevê ações de repressão, inteligência e prevenção
De acordo com o governo federal, R$ 69,1 milhões serão destinados a ações de desarticulação de quadrilhas e recuperação de territórios sob influência de facções criminosas.
Outros R$ 7 milhões serão aplicados em operações de inteligência e monitoramento.
Já R$ 85,9 milhões vão financiar ações preventivas e de ampliação do acesso a direitos, enquanto R$ 47 milhões serão destinados a projetos de reinserção social e incentivo a atividades econômicas legais nas regiões atendidas.
As medidas serão coordenadas pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) e fazem parte do plano Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS), em andamento desde 2023.
Programa abrange municípios em seis estados
O programa prevê monitoramento em sete regiões prioritárias, onde vivem cerca de 38 etnias indígenas diferentes.
No Amazonas, as ações ocorrerão em municípios do Alto Solimões e do Alto Rio Negro. O Acre terá sete cidades atendidas, enquanto o Pará contará com ações no Baixo Tapajós.
Também serão contempladas cidades da microrregião de Imperatriz, no Maranhão.
Fora da Amazônia Legal, o plano inclui cinco municípios do Mato Grosso do Sul e nove cidades do Paraná, especialmente em áreas próximas à tríplice fronteira com Paraguai e Argentina e em territórios indígenas Avá-Guarani.
A portaria do programa foi assinada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e pela secretária nacional de Políticas sobre Drogas, Marta Machado.
Governo cita avanço de facções na Amazônia
Segundo o governo, a região amazônica enfrenta crescimento da atuação de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), principalmente em áreas de fronteira ligadas ao tráfico internacional de drogas.
As organizações também ampliaram atuação em atividades ilegais como garimpo clandestino, exploração de madeira e ocupação de territórios indígenas.
Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), divulgado em outubro de 2025, apontou a fronteira entre Brasil e Colômbia como uma das principais rotas do narcotráfico mundial.
O financiamento das ações contará com recursos do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Estudo aponta mais de 1,2 mil casos de violência em terras indígenas
Durante o lançamento do programa, o governo também divulgou dados do Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado em Territórios Indígenas.
O levantamento analisou 796 Terras Indígenas e identificou fatores como violência, exploração ilegal de recursos naturais, presença de atividades ilícitas e vulnerabilidade socioeconômica.
Segundo o estudo, foram registrados 1.241 casos de violência ligados à propriedade em territórios indígenas ao longo de 2024, incluindo 230 invasões e episódios de exploração ilegal de recursos naturais.
Atualmente, cerca de 622 mil pessoas vivem nessas áreas.
Governo discute plano estratégico para a BR-319
Ainda em Manaus, representantes do governo federal, Polícia Federal (PF) e órgãos locais discutiram um plano estratégico para a BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).
A estrada possui 885 quilômetros e permanece parcialmente sem pavimentação.
No fim de abril, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) suspendeu a licitação para asfaltamento de um trecho de quase 340 quilômetros da rodovia, após disputas judiciais envolvendo impactos ambientais.
Ambientalistas e movimentos indígenas afirmam que a pavimentação pode ampliar o desmatamento e facilitar o avanço de atividades ilegais na floresta.
Já defensores da obra argumentam que a estrada é essencial para conectar Manaus à malha rodoviária nacional e melhorar a circulação durante o período de chuvas.