O câncer de mama continua sendo um dos tumores mais frequentes entre mulheres no Brasil. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos por ano até 2028.
Apesar dos números elevados, especialistas afirmam que as chances de cura ultrapassam 90% quando a doença é descoberta precocemente.
Coordenadora do serviço de mastologia do Hospital da Baleia, a mastologista Dra. Edite de Fátima reforça que a mamografia segue sendo a principal ferramenta para identificar alterações ainda em estágio inicial.
“A melhor forma de prevenção é a realização do exame e, diante de qualquer alteração nas mamas, procurar orientação médica. A idade recomendada para rastreamento do câncer continua sendo a partir dos 40 anos”, afirma.
Casos têm atingido mulheres mais jovens
Segundo a especialista, embora o câncer de mama seja mais comum entre os 40 e 60 anos, diagnósticos em mulheres abaixo dos 30 anos têm se tornado mais frequentes.
De acordo com a médica, nesses casos a doença costuma apresentar comportamento mais agressivo.
Ela também alerta que pacientes com histórico familiar da doença ou alterações genéticas devem iniciar o acompanhamento antes da idade padrão.
Hospital realiza reconstruções mamárias pelo SUS
Além do tratamento oncológico, o Hospital da Baleia também realiza mutirões de reconstrução mamária totalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Coordenador da cirurgia plástica da instituição, o médico Bruno Figueiredo explica que a reconstrução tem papel importante na recuperação emocional das pacientes após a mastectomia.
“Trata-se de uma perda física que gera impacto emocional. O objetivo é que essas mulheres restituam a percepção do corpo, se sintam confiantes novamente e se vejam melhor no espelho e no dia a dia”, afirma.
Segundo ele, o acolhimento humanizado é essencial durante todas as etapas do tratamento.
Mulheres trans também precisam de acompanhamento
A equipe médica também chama atenção para a necessidade de acompanhamento preventivo em mulheres trans que realizam terapia hormonal.
Segundo Dra. Edite, a reposição hormonal contínua estimula o tecido mamário e aumenta o risco para câncer de mama.
Um estudo da University Medical Center, de Amsterdã, apontou que mulheres trans em tratamento hormonal têm até 47 vezes mais chances de desenvolver a doença do que homens cisgêneros.
Para a especialista, transfobia e desinformação ainda dificultam o acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce.
Atendimento integrado é destaque no tratamento
O Hospital da Baleia afirma que o tratamento envolve atuação conjunta de mastologistas, oncologistas, psicólogos e equipes de apoio social.
Segundo a instituição, o objetivo é oferecer acolhimento completo às pacientes durante todas as fases do tratamento contra o câncer de mama.