O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode gerar consequências econômicas para o Brasil, especialmente para o sistema financeiro e para o Pix. A declaração foi dada nesta segunda-feira (01/6) em entrevista ao SBT News.
Embora tenha ressaltado a gravidade das ações das facções criminosas, o ministro criticou a forma como a medida foi adotada e afirmou que o Brasil já possui instrumentos para combater o crime organizado.
Governo teme aumento de custos para bancos
Segundo Durigan, instituições financeiras já começaram a revisar procedimentos internos diante da possibilidade de novas exigências por parte das autoridades americanas.
“Os bancos começaram a recontratar escritórios nos Estados Unidos e a rever todo o seu compliance, rever fluxo interno sobre os recursos, algo que já faziam pela legislação brasileira e pela regulamentação do Banco Central. Está vindo um custo adicional que vai onerar quem usa os produtos do sistema financeiro. Os bancos estão dizendo que precisam se proteger porque foi aberto um espaço muito grande para questionamentos”, afirmou.
Ministro cita risco para o Pix
Durigan também afirmou que existe preocupação com possíveis impactos sobre instituições que operam o sistema de pagamentos instantâneos.
“Se isso avançar para uma sanção financeira, eventualmente você pode estar precisando pagar uma conta ou contratar um serviço e, por uma decisão de outro país, esse banco ficar inviabilizado de oferecer o Pix. Esse é um segundo problema. Além de aumentar custos, pode atingir algo que hoje é símbolo da nossa soberania financeira. O brasileiro usa o Pix de graça, de forma intuitiva e segura”, declarou.
Governo vê risco para investimentos
O ministro também afirmou que a medida pode afetar a percepção internacional sobre o Brasil e dificultar a atração de investimentos.
“Um investidor pode olhar para o Brasil e concluir que o país tem um risco maior. Isso é muito ruim porque afasta investimentos e encarece projetos. Esse risco é fantasioso. Nós estamos combatendo o crime organizado e gostaríamos de ter a colaboração de outros países nesse esforço, não o aumento artificial do risco da nossa economia”, disse.
Segundo Durigan, o governo pretende continuar dialogando com autoridades americanas e representantes do sistema financeiro para evitar que a decisão produza efeitos sobre a economia brasileira.