A camisa é verde e o que vem escrito em amarelo é: O PIX É DE BOLSONARO. Abaixo, em branco: O MASTER É DO LULA. A camisa que se tornou uma marca da pré-campanha de Flávio Bolsonaro até agora pode se converter em um problema quando a campanha efetivamente começar. E um dos motivos, para além das investigações das Polícias Federal e Civil de São Paulo sobre o financiamento do filme Dark Horse, é Donald Trump e o timing de Flávio na última ida aos Estados Unidos.
Bom, isso depende do impacto eleitoral que um anúncio de possível retomada de tarifas pode ter sobre a pré-campanha dele. Um outro impacto, sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, já chegou — e mal — às instituições financeiras do país. A segunda camada seria associá-lo como quem foi a Donald Trump com um pedido e saiu de lá, na semana seguinte, associado pelos adversários políticos a quem também criou embaraços ao PIX no Brasil. Ainda que nenhuma das duas decisões tenha sido motivada diretamente por Flávio, numa narrativa eleitoral importa mais a versão do que a razão para uma parte da lógica do eleitorado e das redes sociais.
Flávio, vendo as reações do Centrão e do mercado, se apressou em divulgar uma carta para deixar em papel timbrado a versão de que não apoia o tarifaço brasileiro. O problema é lidar com a factualidade de ter tido o irmão, Eduardo Bolsonaro, defendendo a taxação a vários setores do país e dizendo que atuaria contra quem tentasse demover o governo Trump da ideia em 2025.
O ano passado deixou na opinião pública uma percepção que parece ser a de um presidente dos Estados Unidos que não liga para empresas, empregos e interesses brasileiros. Lula surfou na “marola” provocada por essa “onda” no ano passado, mas, para Flávio, o risco é enormemente maior. Se o pré-candidato do PL passa a ser visto como alguém que joga contra o país, especialmente por setores do PIB e da labuta diária, o risco está posto na mesa.
Por isso, a agenda dos últimos dias de Flávio em Minas Gerais buscou mais pão de queijo, Mercado Central, agronegócio e política partidária. Para tentar evitar que o estilingue vire vidraça.
