O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, defendeu um novo modelo de relação entre sociedade e meio ambiente durante a Rio Nature & Climate Week, evento que integra os debates preparatórios para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP).
Durante a participação no encontro, que termina neste sábado (06/5), Terena afirmou que o Brasil precisa ampliar o diálogo entre indígenas e não indígenas para construir políticas públicas voltadas à proteção dos territórios e dos recursos naturais.
Segundo o ministro, os povos indígenas devem participar da formulação e da implementação dessas políticas, com a adoção de uma visão que reconheça rios, florestas e montanhas como sujeitos de direitos.
Ministro defende visão além do aspecto econômico
Eloy Terena argumentou que a natureza não pode ser vista apenas como fonte de exploração econômica ou de recursos materiais.
Para o ministro, a relação dos povos indígenas com os territórios pode contribuir para uma nova compreensão sobre preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
“Não olhar para os recursos naturais como recursos materiais, mas reconhecer os territórios e a forma como os povos se relacionam com eles, enxergando as riquezas que existem nesses espaços como sujeitos de direitos”, afirmou.
Debate ocorre em meio a discussões sobre meio ambiente
As declarações ocorreram durante a Semana do Clima do Rio de Janeiro, evento que reúne autoridades, pesquisadores, representantes da sociedade civil e organizações ambientais.
O encontro também tem sido marcado por discussões sobre a preparação para a COP e por críticas de ambientalistas e cientistas a propostas em tramitação no Congresso Nacional que, segundo eles, podem representar retrocessos na legislação ambiental brasileira.
Terena defendeu que o país incorpore a cosmovisão indígena na construção das políticas públicas voltadas ao meio ambiente, ampliando a participação dos povos originários nos debates sobre o futuro do desenvolvimento nacional.