O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais e pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSB, Jarbas Soares Júnior, afirmou que não se identifica com os campos políticos tradicionais e criticou o que chamou de influência excessiva da ideologia na administração pública.
A declaração foi dada nesta segunda-feira (08/6), durante entrevista ao programa 98 Talks, da 98 News.
Ao comentar sua entrada na política e os rumos de uma eventual candidatura ao Palácio Tiradentes, Jarbas afirmou que não pretende conduzir sua atuação a partir de divisões entre esquerda, direita ou centro.
“Eu não tenho ligação com núcleos ideológicos. Eu acho que eles fazem mal para a sociedade. Acho que há uma cegueira. Eu não sou de esquerda, não sou direita, não sou de centro. Eu tento ser o que a Constituição me ensinou como promotor de Justiça: defender os mais pobres, não prejudicar os mais ricos, ajudar nas atividades econômicas, construir um estado organizado, sério, honesto, que as pessoas, os servidores sejam valorizados, que as polícias sejam valorizadas, os professores, a saúde, as instituições do sistema de justiça”, afirmou.
Críticas à polarização
Durante a entrevista, Jarbas afirmou que a política brasileira tem sido prejudicada por disputas ideológicas e defendeu uma postura mais pragmática na gestão pública.
“Eu particularmente não me encontro nessa divisão da sociedade. Acho que tem virtudes de um lado, de outro e de outro. Nós não podemos agora, por oportunismo político, depreciar aqueles que fizeram alguma coisa pelo Estado. Ou então achar que tudo que essa pessoa pensa eu estou contra e tudo que essa outra pensa eu sou a favor. Não pode ser assim”, disse.
Segundo o ex-procurador-geral, a interferência da ideologia em decisões administrativas trouxe prejuízos para Minas Gerais nos últimos anos.
“Acho que o estado perdeu muito quando a questão ideológica interferiu nas relações entre Estado e União. Eu vi isso muito na negociação do Propag e vi muito isso no acordo de Mariana. Nós começamos a fazer o acordo no governo do presidente Jair Bolsonaro e terminamos no governo do presidente Lula”, afirmou.
Críticas ao governo Zema
Jarbas também fez críticas à atual administração estadual e disse não se sentir representado pelo governo de Romeu Zema (Novo).
“O que eu vejo hoje é que eu não me sinto representado por esse governo. Eu acho que o governo erra muito. Agora eu tenho mais liberdade para poder falar. E errou na questão ideológica, ao misturar governo com questão ideológica”, declarou.
O pré-candidato também afirmou que pretende defender um modelo de gestão mais alinhado às tradições do estado.
“Fazer um governo adequado às tradições de Minas Gerais, que nós possamos resgatar algo perdido. O Palácio da Liberdade, para mim, sempre será a sede do governo de Minas. Tem muita coisa que precisa ser resgatada”, disse.
Decepção com escolha para o Ministério Público
Ao longo da entrevista, Jarbas também voltou a comentar o processo de escolha do procurador-geral de Justiça de Minas Gerais. Ele afirmou que não guarda mágoa do governador Romeu Zema, mas disse ter ficado decepcionado com a condução da decisão.
“Todo mundo pergunta: você tem mágoa do Zema? Nenhuma. Eu tenho decepção. O governador tinha todo o direito de escolher quem escolheu. Decidiu com a Constituição na mão. Não tenho um senão para fazer. O que me decepcionou foi a forma como um assunto tão importante foi tratado”, afirmou.