A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) suspendeu nesta segunda-feira (08/6) a aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. A medida segue orientação do Ministério da Saúde e tem caráter temporário. As doses permanecem armazenadas até nova decisão.
O imunizante do Butantan é destinado exclusivamente aos profissionais de saúde. A vacinação em Belo Horizonte começou em 20 de fevereiro e imunizou cerca de 3,5 mil trabalhadores da área. A prefeitura informou que não houve registro de eventos graves na capital mineira.
A suspensão não afeta a vacinação de crianças e adolescentes. A faixa etária de 10 a 14 anos continua recebendo a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, normalmente nas unidades de saúde do município.
O que fazer quem tomou a vacina nos últimos 21 dias
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que profissionais vacinados nas últimas três semanas fiquem atentos a sintomas comuns, como:
- Dor de cabeça
- Fraqueza geral
- Dores no corpo
- Dor nas articulações
- Dor atrás dos olhos
- Náuseas
Caso apareçam sinais de alarme, a orientação é buscar atendimento médico em uma unidade de saúde imediatamente. Os sinais de alerta são:
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes
- Tontura
- Sangramentos
- Sonolência intensa
Entenda o caso
O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação no início da tarde desta segunda-feira (08/6). A decisão foi tomada após o registro de 42 casos de reações severas entre os 500 mil vacinados no país, o equivalente a 0,008% do total. Entre esses casos, três foram considerados graves, com dois óbitos registrados.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que não há, até o momento, dados suficientes para estabelecer uma relação de causa entre a vacina e as mortes, mas que os registros configuram um sinal de alerta que justifica a suspensão preventiva.
Os casos graves envolvem uma mulher de 39 anos que precisou ser internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e se recuperou; uma mulher de 48 anos que desenvolveu comprometimento neurológico e morreu; e um homem de 58 anos que evoluiu para choque refratário e também morreu.
As reações registradas não haviam sido observadas nos estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que envolveram 11 mil pessoas acompanhadas por cinco anos.
A suspensão é temporária. As doses permanecem armazenadas nas unidades de saúde enquanto o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundam as investigações sobre os casos registrados.