A Fifa pediu que a seleção do Haiti altere a camisa que será usada na Copa do Mundo de 2026. O uniforme fazia referência a personagens do processo de independência do país. A informação foi divulgada pela Saeta, empresa responsável pelo design, nessa terça-feira (9/6).
Segundo a empresa, o projeto foi desenvolvido em parceria com a Federação Haitiana de Futebol e tinha como objetivo celebrar o orgulho e o espírito do povo haitiano.
Em comunicado, a Saeta afirmou: “O design final apresentado pela Saeta foi concebido como uma homenagem aos homens e mulheres que contribuem diariamente para o futuro do Haiti e não tinha a intenção de representar uma declaração política”.
A Fifa, no entanto, avaliou que elementos visuais do uniforme poderiam contrariar as regras sobre equipamentos esportivos e ter interpretação política. A entidade determinou ajustes no design, mas não detalhou quais mudanças devem ser feitas.
Nas redes sociais, o uniforme também gerou discussão. Internautas chegaram a confundir a bandeira azul e vermelha estampada na camisa com a bandeira da Polônia, associando o símbolo à participação de poloneses no processo de independência haitiano. A fabricante negou a interpretação e esclareceu que o símbolo reproduz uma antiga versão da bandeira haitiana, composta pelas cores azul e vermelha.
A Saeta reforçou ainda o caráter histórico do projeto na descrição oficial da peça, destacando a conexão com a identidade do país. “Nossa história não é somente contada oralmente. Nós vestimos, defendemos e carregamos orgulhosamente a história. Por 222 anos, o povo haitiano sempre foi orgulhoso de seu país, sempre esperando por dias melhores. O Haiti tem montanhas, mares e paisagens de palmeiras, mas a coisa mais preciosa é o povo desta terra. Nós vestimos história e vestimos orgulho”, diz o texto.
O uniforme também trazia uma ilustração da Batalha de Vertières, confronto travado em 1803 que marcou a derrota das tropas francesas e é um dos momentos decisivos para a independência do Haiti. Na época, tropas polonesas enviadas por Napoleão Bonaparte chegaram a atuar no conflito, e parte dos soldados acabou se unindo às forças lideradas por Jean-Jacques Dessalines, figura central da Revolução Haitiana.
Até o momento, nem a Federação Haitiana de Futebol nem a Fifa se pronunciaram oficialmente sobre as alterações solicitadas para o uniforme.
