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Fazenda estima impacto de R$ 140 bilhões e ameaça ir ao STF contra renegociação de dívidas rurais

Por

Igor Teixeira

Igor Teixeira
  • 10/06/2026
  • 21:29

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Segundo a Fazenda, o subsídio do Tesouro cobriria 70% de um universo de R$ 200 bilhões em operações de crédito agropecuário. ( Foto: Washington Costa/MF)

Segundo a Fazenda, o subsídio do Tesouro cobriria 70% de um universo de R$ 200 bilhões em operações de crédito agropecuário. ( Foto: Washington Costa/MF)

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (10/6) que o projeto aprovado pelo Senado para renegociação de dívidas de produtores rurais pode gerar um impacto de até R$ 140 bilhões para os cofres públicos. Segundo ele, o governo avalia vetar trechos da proposta e até recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A declaração foi dada após a aprovação do Projeto de Lei 5.122/2023, que cria uma linha especial de financiamento para produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos e dificuldades econômicas.

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Segundo Durigan, a equipe econômica não é contrária à renegociação das dívidas, mas considera que o texto aprovado pelos senadores extrapola o objetivo inicial de atender produtores mais afetados por secas, enchentes e quebras de safra.

Governo calcula custo bilionário

De acordo com o ministro, as estimativas da Fazenda apontam que o projeto pode alcançar um universo de aproximadamente R$ 200 bilhões em operações de crédito rural.

“A estimativa que eu tenho é que isso abrange um universo de R$ 200 bilhões em operação, cujo custo para o Tesouro ficou de 70%, o que dá algo como R$ 140 bilhões para o Tesouro Nacional nos próximos anos”, afirmou.

Durigan disse que o valor é incompatível com a situação fiscal do país e classificou o impacto como excessivo diante das contas públicas.

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Fazenda não descarta veto e ação no STF

O ministro afirmou que o governo pretende analisar o texto final aprovado pelo Senado antes de decidir quais medidas adotará.

Segundo ele, a proposta poderá ser modificada durante a nova tramitação na Câmara dos Deputados. Caso isso não ocorra, o Palácio do Planalto avalia vetar dispositivos da matéria.

“O custo não é suportável. Pode ser que parte do projeto tenha de ser revista na Câmara dos Deputados, com um veto do presidente Lula e, se preciso, a gente vai questionar uma eventual ação do Congresso por responsabilidade fiscal no Supremo Tribunal Federal”, disse.

O que prevê o projeto

A proposta cria uma linha especial de financiamento para renegociação de dívidas de produtores rurais e cooperativas afetados por eventos climáticos entre 2019 e 2025.

Os recursos serão abastecidos principalmente pelo Fundo Social do Pré-Sal e poderão ser utilizados para quitar ou refinanciar operações de crédito rural, empréstimos bancários e Cédulas de Produto Rural (CPRs).

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O texto prevê juros entre 3,5% e 7,5% ao ano, prazo de pagamento de até 10 anos, podendo chegar a 15 anos em alguns casos, e carência de até três anos para o início da quitação.

Governo defende ajuda mais direcionada

Apesar das críticas ao texto aprovado, Durigan afirmou que o governo reconhece as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais e defende medidas de apoio ao setor.

Segundo ele, a preocupação da Fazenda é garantir que os benefícios sejam direcionados aos agricultores efetivamente atingidos por perdas climáticas, sem comprometer o equilíbrio fiscal.

O ministro também alertou para o risco de redução da oferta de crédito rural caso os custos da proposta sejam integralmente transferidos ao sistema financeiro.

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“O que temos alertado é que pode haver restrição de crédito por parte dos bancos, prejudicando os agricultores. Todo mundo tem que ter responsabilidade fiscal”, afirmou.

Como o projeto foi alterado no Senado, ele retorna agora para análise da Câmara dos Deputados antes de seguir para eventual sanção presidencial.

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Igor Teixeira

Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de cidades e política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.

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