O setor de serviços de Minas Gerais registrou crescimento de 1,4% em abril de 2026 na comparação com março, desempenho ligeiramente superior ao observado no país, que avançou 1,2% no mesmo período. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (11/6) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), com base na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE.
Segundo a entidade, o resultado indica uma recuperação moderada da atividade após a desaceleração registrada no primeiro trimestre do ano. Entre os principais fatores que contribuíram para o avanço está o desempenho positivo dos serviços de informação e comunicação, segmento que tem demonstrado maior resiliência diante do cenário econômico atual.
As atividades turísticas também apresentaram crescimento em abril, com alta de 1,9% em Minas Gerais. No Brasil, o avanço foi ainda mais expressivo, alcançando 4,1% no período.
Na comparação com abril de 2025, o volume de serviços em Minas foi impulsionado principalmente pelos segmentos de informação e comunicação, que cresceram 3,9%, e de outros serviços, com expansão de 11,1%. Por outro lado, os serviços profissionais e administrativos registraram queda de 5,4%, exercendo influência negativa sobre o resultado geral.
De acordo com a análise da FIEMG, a recuperação do setor deve continuar sendo sustentada pelo mercado de trabalho aquecido, pela expansão da massa salarial e por medidas de estímulo à renda, fatores que ajudam a manter a demanda por serviços. Apesar disso, a expectativa para o restante de 2026 é de desaceleração gradual da atividade.
A entidade destaca que, mesmo com a perspectiva de redução da taxa básica de juros nos próximos meses, a Selic ainda deverá permanecer em níveis elevados, limitando o consumo e os investimentos. Além disso, o segmento de transportes segue como ponto de atenção devido ao aumento dos custos operacionais, especialmente por causa da alta dos combustíveis, como diesel e querosene de aviação.
Em contrapartida, os serviços de informação e comunicação devem continuar contribuindo para sustentar o desempenho do setor ao longo do ano. Diante desse cenário, a Gerência de Economia da FIEMG projeta crescimento de 2,1% para o volume de serviços no Brasil em 2026.
Para o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, embora os indicadores recentes apontem melhora da atividade, o ambiente econômico ainda exige cautela. “As condições financeiras ainda restritivas e a pressão dos custos operacionais devem limitar o ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026”, avaliou.
