O setor de serviços cresceu 1,2% no Brasil e 1,4% em Minas Gerais em abril na comparação com março, superando as expectativas do mercado. Apesar do resultado, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avalia que ainda é cedo para considerar o desempenho como uma mudança de tendência para a economia em 2026. A entidade projeta crescimento de 2,1% para o setor no país até o fim do ano, mas alerta para os impactos dos juros elevados e das incertezas no cenário internacional.
Em entrevista à Rádio 98 News, a economista da FIEMG, Luíza de Melo, afirmou que o avanço registrado em abril surpreendeu positivamente, mas não elimina os desafios enfrentados pela atividade econômica.
“Eu não chamaria isso de virada de tendência ainda, porque a gente vive um cenário marcado por condições financeiras restritivas. Mesmo com a perspectiva de redução da taxa de juros ao longo do ano, a Selic deve permanecer em patamares elevados”, afirmou.
Segundo a economista, os juros continuam limitando decisões de consumo e investimento, o que tende a restringir o ritmo de crescimento do setor nos próximos meses. Ela também citou o Índice de Confiança de Serviços da Fundação Getulio Vargas (FGV), que avançou 0,9 ponto em maio após três quedas consecutivas, mas ainda aponta percepção enfraquecida sobre as condições atuais da atividade.
A FIEMG também vê com preocupação os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o setor de transportes, que possui o maior peso na composição dos serviços. O aumento dos combustíveis, especialmente do querosene de aviação, já tem reflexos sobre o segmento.
“A questão do conflito no Oriente Médio afeta um dos setores mais importantes da nossa estrutura de serviços, que é o transporte”, disse Luíza.
De acordo com a economista, o transporte acumulou queda de 2,5% nos quatro primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Por outro lado, o principal motor do crescimento em Minas Gerais foi o segmento de informação e comunicação. Na comparação com abril de 2025, a atividade avançou 3,9%, impulsionada pela demanda por softwares, serviços digitais e consultorias em tecnologia da informação.
“O segmento de serviços de informação e comunicação foi o que puxou esse resultado positivo e seguiu uma tendência nacional”, destacou.
Além da tecnologia, os serviços prestados às famílias e outras atividades de serviços também contribuíram para o resultado positivo, beneficiados pela expansão da massa salarial e pela resiliência do mercado de trabalho. As atividades turísticas, por sua vez, registraram crescimento de 1,9%.
Apesar desses avanços, a expectativa da FIEMG é de desaceleração gradual do setor ao longo do segundo semestre.
“Apesar desse bom resultado de abril, a expectativa é que o setor de serviços permaneça em desaceleração gradual até o fim do ano”, afirmou a economista.
A projeção da entidade é de crescimento de 2,1% para o volume de serviços no Brasil em 2026.
