A Associação Mineira de Reabilitação (AMR) enfrenta o desafio de equilibrar seus custos operacionais para manter a assistência gratuita na Grande BH. Em entrevista à Rede 98, o presidente executivo da entidade, Sérgio Roberto Belisário, detalhou os gargalos orçamentários e o balanço anual. A organização sexagenária realizou mais de 43 mil procedimentos clínicos e 11 mil atendimentos de suporte social no último ano.
O dirigente explicou que a sofisticação dos tratamentos neuromotores exige investimentos contínuos que pressionam o caixa da organização não governamental. De acordo com o relatório de impacto, a entidade investiu cerca de R$ 3 milhões na execução de projetos e na capacitação de pessoal. A busca por sustentabilidade financeira dita o ritmo das atividades para garantir o atendimento de famílias em vulnerabilidade.
Elevação de despesas médicas e inovação em equipamentos
“A gente vem crescendo em termos de arrecadação e a AMR melhora significativamente nesse quesito, mas, por outro lado, os custos aumentam muito. Um profissional que atua na AMR ganha como o mercado remunera, pois a pessoa tem que sobreviver e sustentar a sua família. Então, a gente equipara os nossos profissionais a valor de mercado, o que cresceu muito ultimamente, principalmente na área de saúde, onde os profissionais melhoraram significativamente a sua remuneração, e isso nos onera”, afirmou Sérgio Roberto Belisário.
“Outra questão é a tecnologia embarcada nos equipamentos, que começa a custar cada vez mais, pois tem muita inovação que você acaba tendo que bancar. Quando a gente investe em um equipamento, como uma esteira necessária para reabilitação que custava um valor x há dez anos, hoje ela custa duas ou três vezes mais porque tem muita tecnologia embarcada nela. Então, isso acaba pesando no nosso plano de expansão”, contextualizou o presidente executivo.
Fila de inscrição e parcerias com municípios do interior
A instituição atende aproximadamente 500 pacientes de forma síncrona, com rotinas de terapia que ocorrem cerca de três vezes por semana na sede. O ingresso das crianças deve ocorrer obrigatoriamente durante a primeira infância para garantir a eficácia do tratamento neuromotor até os 18 anos de idade. Devido ao limite físico e financeiro da estrutura em Belo Horizonte, a associação trabalha com uma fila de espera.
“Expandir é algo que a gente tem no nosso plano, mas é um trabalho que a gente pensa, no primeiro momento, em buscar parceiros nas cidades onde a gente não atende, em centros de Minas Gerais, por exemplo, Montes Claros, Varginha, Valadares, Uberlândia. Nós poderíamos transmitir a nossa competência em reabilitação e inclusão para outra instituição local, dando todo o apoio necessário no primeiro momento e até na sequência, de maneira remota ou presencial”, projetou Belisário.
A mobilização social conta com o suporte diário de mais de 300 voluntários em setores de captação de recursos, produção de fraldas e acolhimento humano. Os cidadãos interessados em colaborar com a manutenção das terapias gratuitas podem realizar doações financeiras ou de materiais diretamente no portal eletrônico da AMR. O comitê gestor mantém canais informativos abertos nas redes sociais para aproximar novos doadores e parceiros da causa.
