Os países-membros do Mercosul formalizaram o lançamento das negociações para um acordo de livre-comércio com o Japão durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco. O objetivo é ampliar o acesso a mercados de bens agrícolas e não agrícolas, além de aumentar a cooperação e os investimentos entre os dois lados.
Quanto o Brasil pode ganhar
Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o acordo pode beneficiar US$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras. O valor corresponde a cerca de 10% de tudo o que o Brasil vende ao Japão atualmente.
A negociação prevê a redução ou a retirada de barreiras tarifárias, o que tornaria os produtos brasileiros mais competitivos no mercado japonês.
O que muda para Minas Gerais
O acordo pode ter efeito direto na economia mineira. Para Verônica Winter, coordenadora de facilitação de negócios internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG, o movimento abre espaço para o estado se posicionar com mais força no Japão.
“A gente já vê com bons olhos esse movimento, porque ele traz uma abertura comercial ainda maior para o Brasil e para o Mercosul”, afirmou Verônica Winter.
Ela lembra que o Japão é a quarta maior economia do mundo, o que torna o país estratégico para as negociações. Segundo a especialista, as exportações mineiras para o mercado japonês tendem a aumentar com a eventual isenção de tarifas.
De acordo com Verônica Winter, alguns setores mineiros têm destaque na pauta de exportação para o Japão e podem sair ganhando:
- Ferroligas: produto de destaque nas exportações de Minas
- Carnes e alimentos processados
- Autopeças: nesse caso, o benefício vem pela importação, com custo menor para as indústrias que trazem esses insumos do Japão
“Tendo essa isenção, as nossas exportações teriam benefício, teriam um ganho. A gente entraria lá mais competitivo em relação a outros concorrentes”, explicou a coordenadora da FIEMG.
O que acontece agora
O processo ainda está em fase de negociação. Não há prazo definido para a conclusão do acordo, e os detalhes de produtos, tarifas e investimentos serão discutidos ao longo das conversas.
A expectativa, porém, é de que as tratativas avancem mais rápido do que a negociação entre o Mercosul e a União Europeia.
*Com informações da reportagem de Guilherme Alves
