A produção industrial de Minas Gerais fechou os cinco primeiros meses de 2026 com alta acumulada de 1,2%, mas os números mais recentes mostram que o fôlego do setor está diminuindo. Na passagem de abril para maio, considerando a série com ajuste sazonal, a atividade recuou 1,7% depois de ter avançado 2,1% no mês anterior. Na comparação com maio do ano passado, houve queda de 1,1%.
Os dados fazem parte do estudo Radar Econômico, divulgado nesta sexta-feira (10/7) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Segundo o levantamento, o resultado confirma sinais de arrefecimento da atividade industrial no estado: até abril, o acumulado do ano estava em 1,9%; com o desempenho fraco de maio, essa taxa caiu para 1,2%, patamar inferior ao registrado pela indústria brasileira no mesmo período, de 1,4%.
Extrativa puxa alta no ano, mas trava no mês
Apesar da desaceleração recente, o saldo positivo acumulado em 2026 ainda se sustenta. A indústria extrativa, que inclui a mineração, acumula crescimento de 2,0% no ano, enquanto a indústria de transformação avança 0,9%.
O quadro se inverte quando o recorte é mensal. Em maio, na comparação com abril, a extrativa foi o principal fator de piora, com recuo de 4,1%, diferente do desempenho do Brasil, onde o segmento cresceu 4,5% no mesmo intervalo. A indústria de transformação mineira também perdeu força, com queda de 2,2% na margem, enquanto no país o setor teve leve alta de 0,1%.
Setores que mais pesaram e os que resistiram
A retração de maio foi disseminada entre atividades relevantes da estrutura produtiva mineira. Além da extrativa, chamaram atenção as quedas na fabricação de máquinas e equipamentos (-7,4%), na produção de derivados de petróleo e biocombustíveis (-6,4%) e na metalurgia (-4,4%).
Do lado positivo, alguns segmentos registraram avanços expressivos, ainda que insuficientes para compensar as perdas do período. A fabricação de fumo cresceu 14,6%, a de produtos químicos avançou 11,6%, a de celulose e papel subiu 8,0% e a produção de veículos teve alta de 1,6%.
Juros mais baixos, mas política monetária ainda restritiva
Para os próximos meses, a FIEMG projeta um cenário doméstico moderado. O início do ciclo de corte da taxa Selic, que atualmente está em 14,25% ao ano, tende a melhorar gradualmente as condições de crédito e de financiamento de investimentos, e os estímulos fiscais podem reforçar a demanda das famílias. Ainda assim, o estudo destaca que a política monetária continua restritiva, o que segue limitando principalmente a realização de investimentos produtivos.
“Resiliência em cenário de incertezas”
Para o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, o setor deve continuar crescendo neste ano, embora em ritmo mais lento. “A perspectiva para 2026 é de que a indústria mineira acumule crescimento, ainda que moderado, demonstrando sua resiliência em um cenário de incertezas. O desempenho do setor estará condicionado, sobretudo, à intensidade da flexibilização monetária, à recuperação da demanda doméstica e ao comportamento dos mercados internacionais de commodities”, avalia.