Moradores, comerciantes e representantes da sociedade civil participaram, na última quarta-feira (29/7), do lançamento do ‘Pacto pela Savassi’, movimento que pretende discutir propostas para a revitalização do bairro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, e buscar soluções para questões como a segurança e o aumento da população em situação de rua.
Entre os participantes estava o empresário Marco Aurélio Savassi, neto do fundador da tradicional Padaria Savassi. Ele afirma que as mudanças na região alteraram a rotina de quem vive e trabalha no bairro.
“A gente tem medo. (Esperamos) Que ela volte a ser o que ela era antes. Uma Savassi charmosa, com as lojas, né? Com o pessoal podendo sair à noite. Aquela Savassi que a gente foi criado”, relata o empresário.
Um dos idealizadores do movimento, Helênio Soares, explica que a iniciativa foi estruturada em três eixos principais: arrecadação de recursos para assistência à população em situação de rua, encaminhamento dessas pessoas para programas de acolhimento e ações de revitalização urbana.
“Troco Solidário é um projeto que vamos implementar por meio de uma instituição que vai receber donativos dos trocos. Vamos implementar aqui, investindo neste espaço, oferecendo comida para eles com almoço, café da manhã, almoço e jantar. O segundo passo é o ‘Caminhos da Esperança’, que visa tirar essas pessoas definitivamente daqui, para casas temporárias ou comunidades terapêuticas. O terceiro é a revitalização da Savassi. Todas as vidraças da Savassi hoje estão quebradas, e precisamos reconstruir essas vidraças.”
Defesa de políticas públicas
A proposta também gerou debate entre representantes de entidades que atuam com a população em situação de rua na capital.
Para André Teixeira, representante da Frente Popular em Defesa da População em Situação de Rua, as políticas públicas voltadas ao emprego e à garantia de direitos devem ocupar papel central nas discussões.
“32% das pessoas em situação de rua de Belo Horizonte declaram que o motivo que levou elas para a situação de rua é a falta de um emprego de qualidade, a falta de um salário decente para financiar sua vida e sua sobrevivência. Ou seja, um terço do problema da situação de rua de BH seria resolvido com uma política de emprego decente para essas pessoas”, declarou.
Já o coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua em Minas Gerais, Rafael Silva, considera positiva a abertura do diálogo, mas ressalta que a construção de soluções deve contar com a participação da própria população em situação de rua.
“Hoje nós ultrapassamos 16.000 pessoas em situação de rua só na capital. E o problema não é a população de rua. O problema muitas vezes é a falta de uma política integrada. Nós sabemos que uma política depende da outra para sobressair no objetivo final. E é isso que queremos ouvir hoje”.
Também presente ao lançamento do pacto, a ex-secretária de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Bárbara Botelho, afirmou que a iniciativa pode contribuir para aproximar diferentes setores da sociedade da discussão sobre o futuro da Savassi. Segundo ela, “a Savassi já foi um grande símbolo e tem tudo para ser mais uma vez uma vitrine de verdade de Belo Horizonte.”