As negociações para a formação das chapas ao Governo de Minas ganharam um novo capítulo nos bastidores. Conforme apurou a Rede 98 com fontes do PSB e do PDT, os dois partidos iniciaram conversas para que os socialistas passem a integrar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) ao Palácio Tiradentes.
O movimento acontece em meio às dificuldades enfrentadas pelo PSB para consolidar a aliança firmada nacionalmente com o PT em Minas Gerais. Apesar do acordo entre as direções nacionais das duas legendas, dirigentes e candidatos do PSB mineiro resistem à possibilidade de subir no palanque do ex-ministro Patrus Ananias (PT).
Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, as conversas teriam avançado nos últimos dias.
Recursos de campanha e resistência ao PT pesam nas negociações
Nos bastidores, um dos principais entraves para a permanência do PSB na chapa petista envolve a definição sobre a distribuição dos recursos eleitorais destinados às campanhas dos integrantes de uma eventual aliança. De acordo com fontes ouvidas pela Rede 98, esse debate ainda não foi concluído e é apontado por integrantes do PSB como um dos fatores que podem dificultar a permanência do partido no projeto liderado por Patrus Ananias (PT).
Segundo interlocutores, o PDT sinalizou que teria condições de garantir a estrutura necessária para as campanhas de candidatos do PSB que eventualmente integrem uma aliança em torno de Alexandre Kalil, o que passou a ser visto como um elemento favorável nas conversas entre as duas legendas.
Além da questão financeira, lideranças do PSB em Minas defendem que a legenda não integre a coligação do PT. A resistência é puxada principalmente pelo deputado estadual Noraldino Júnior, líder do governo Mateus Simões (PSD) na Assembleia Legislativa, e pelo deputado estadual Carlos Pimenta, que representam uma ala municipalista da legenda.
Interlocutores afirmam ainda que diversos pré-candidatos do PSB à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa avaliam que não fariam campanha para Patrus mesmo em caso de manutenção da aliança.
Acordo nacional pressiona PSB mineiro
A movimentação, no entanto, esbarra em um compromisso firmado pelas direções nacionais de PT e PSB.
Como parte das negociações nacionais, o PT abriu mão de lançar candidato ao Governo de Pernambuco para apoiar a reeleição do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Em contrapartida, o PSB se comprometeu a apoiar a candidatura petista ao governo de Minas.
Esse acordo é defendido pela direção nacional das duas legendas, mas enfrenta resistência entre lideranças do PSB mineiro, que tentam construir uma alternativa regional.
Federação minimiza possibilidade de rompimento
Procurada pela Rede 98, uma fonte ligada à Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) afirmou desconhecer qualquer negociação entre PSB e PDT para uma composição em torno da candidatura de Alexandre Kalil.
Segundo esse interlocutor, o PSB permanece alinhado nacionalmente à federação, em razão do acordo firmado entre as direções nacionais dos partidos. A avaliação é que esse entendimento segue válido em Minas Gerais, inclusive pelo fato de o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ser filiado ao PSB. Essa mesma fonte disse não acreditar que as conversas avancem a ponto de alterar a composição prevista nacionalmente.
PDT amplia articulações
As conversas com o PSB também fazem parte da estratégia do PDT de ampliar a frente de apoio à candidatura de Alexandre Kalil.
Como mostrou a Rede 98, o partido mantém negociações avançadas com o PSDB para uma composição eleitoral em Minas Gerais. A intenção é reunir PDT, PSDB e PSB em torno da candidatura de Kalil, caso as tratativas avancem nos próximos dias.
As convenções partidárias podem ser realizadas até 5 de agosto, prazo em que as legendas precisam definir oficialmente as alianças e candidaturas para as eleições deste ano.