Professores de escolas particulares de Belo Horizonte e região decidiram suspender a greve da categoria em assembleia realizada nesta terça-feira (22/9). As aulas devem ser retomadas nesta quarta-feira (23), segundo o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas).
A categoria continuará em estado de greve enquanto aguarda o julgamento das reivindicações pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O tribunal reconheceu a legitimidade da paralisação.
Mais de 700 professores de dezenas de instituições participaram da assembleia. Os docentes também aprovaram uma nova paralisação para a data em que o TRT analisar o caso, prevista para o início de novembro.
A presidente do Sinpro Minas, Valéria Morato, afirmou que a mobilização fortaleceu a atuação dos professores nas negociações.
“Em função da greve, o impasse nas negociações e outras reivindicações dos professores agora serão julgados no Tribunal. Então foi um movimento extremamente vitorioso, e os professores estão de parabéns. Mostraram mais uma vez a força e unidade da categoria”, disse.
Morato também destacou o apoio recebido durante a paralisação e citou a defesa de direitos como férias coletivas, adicional extraclasse e isonomia salarial.
Proposta das escolas foi rejeitada
Durante a assembleia, os professores rejeitaram a proposta apresentada pelos representantes das escolas na audiência mais recente do TRT.
Entre as mudanças sugeridas estão o fim da isonomia salarial e alterações na indenização em casos de redução da carga horária. Para a categoria, as medidas representam perda de direitos.
Os docentes também recusaram a divisão da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) em dois documentos, um para a educação básica e outro para o ensino superior. O Sinpro Minas defende a manutenção de uma única convenção e afirma que a separação pode enfraquecer as negociações e afetar conquistas como bolsas de estudos e isonomia salarial.
Greve começou durante campanha salarial
A paralisação começou na última quarta-feira (16), durante as negociações da campanha salarial deste ano. Entre as reivindicações está um reajuste de 3,77%, correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Segundo o Sinpro Minas, o movimento também ampliou o debate sobre as condições de trabalho dos professores da rede particular.
“Essa é uma discussão que precisa envolver toda a comunidade escolar. Porque não existe escola de qualidade sem profissionais valorizados, respeitados e com condições dignas de trabalho”, afirmou Morato.
