O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convocou uma reunião de emergência com integrantes do alto escalão da entidade para esta quarta-feira (5/8), em Rabat, no Marrocos. O encontro ocorre em meio à maior crise enfrentada pelo dirigente nos últimos anos, após a repercussão negativa da proposta de vender parte das ações da Fifa, incluindo direitos comerciais da Copa do Mundo e do Mundial de Clubes.
Segundo informações divulgadas pelo jornal inglês The Times e pela Sky Sports, o objetivo da reunião é tentar conter o desgaste interno e externo provocado pelo projeto, que já foi retirado por Infantino, mas segue gerando consequências dentro da entidade.
A resistência ao plano cresceu entre confederações, federações e até mesmo dentro da própria Fifa. A Uefa chegou a anunciar um boicote a competições organizadas pela entidade caso a proposta avançasse e, mesmo após o recuo de Infantino, lidera um movimento para enfraquecer o presidente. De acordo com a imprensa internacional, diversas federações também já retiraram o apoio à reeleição do dirigente.
O jornalista Kaveh Solhekol, da Sky Sports, classificou o encontro como “muito, muito tenso” e afirmou que ainda não é possível prever os desdobramentos da reunião, que podem passar por um contra-ataque político de Infantino ou até por discussões sobre sua permanência no cargo.
Além da pressão provocada pelo projeto da Fifa, Infantino passou a enfrentar novas acusações nos últimos dias. O príncipe Ali bin al-Hussein, presidente da Federação Jordaniana de Futebol e ex-candidato à presidência da entidade, afirmou que integrantes da cúpula da Fifa condicionaram ajuda à federação ao apoio à reeleição do dirigente.
Segundo o jordaniano, a federação buscava auxílio para resolver questões envolvendo vistos para torcedores, problemas fiscais relacionados à Copa do Mundo e o pagamento da premiação da Copa Árabe de 2025. Durante o Mundial, no entanto, teria recebido a sinalização de que declarar apoio a Infantino facilitaria a solução desses problemas.
“Nós não o apoiamos antes e certamente não faremos isso agora. Toda essa situação equivale a chantagem, e nos recusamos a ceder a isso”, afirmou Ali bin al-Hussein.
Entenda a proposta da Fifa
O plano apresentado por Infantino previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que permaneceria sob controle majoritário da Fifa, mas teria parte de suas ações vendida a investidores privados. A nova empresa passaria a administrar os direitos comerciais das principais competições da entidade, como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.
A Fifa argumentava que o projeto permitiria ampliar a arrecadação e aumentar os repasses às federações nacionais. Pelo plano, o valor destinado a cada associação passaria de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões no ciclo entre 2027 e 2030.
Na prática, porém, a proposta foi interpretada por dirigentes como uma “privatização” parcial dos principais ativos da entidade, gerando forte reação de confederações e federações ao redor do mundo e levando Infantino a recuar poucos dias após o anúncio.
