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Messi faz emocionante relato sobre morte do pai: ‘Não sei como seguir’

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Larissa Reis

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Durante a Copa do Mundo, a ausência de Jorge passou a ser sentida de forma ainda mais intensa pelo jogador (redes sociais)

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O atacante argentino Lionel Messi publicou nesta quarta-feira (12/8) uma emocionante homenagem ao pai, Jorge Messi, que morreu na última sexta-feira (7/8), aos 68 anos, em Rosário, na Argentina. Em uma longa mensagem nas redes sociais, o jogador relembrou a relação dos dois desde a infância, a presença de Jorge em sua carreira e os últimos momentos antes da morte.

“Pai, ainda não consigo acreditar que você se foi. Não consigo, ou melhor dizendo, não quero acreditar. Está sendo muito difícil imaginar que não vou mais te ver, que não vamos mais conversar”, escreveu Messi.

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O jogador reconheceu o sofrimento enfrentado pelo pai nos últimos meses, mas lamentou que a despedida tenha acontecido tão cedo. “Sei que você estava sofrendo e que isso é o melhor, mas você foi embora muito cedo. Ainda tínhamos muito para aproveitar juntos”, afirmou.

Messi também contou que Jorge fazia questão de que ele disputasse a sua última Copa do Mundo e revelou que os dois chegaram a fazer planos para que o pai pudesse acompanhá-lo na competição.

“Você me pedia tanto que eu jogasse o último Mundial e, dias antes de começar, foi quando você piorou. […] Eu te dizia que chegaríamos à final para que você pudesse viajar”, relembrou.

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Durante o torneio, a ausência de Jorge passou a ser sentida de forma ainda mais intensa pelo jogador. “Cada vez que terminava uma partida, eu esperava e sentia falta da sua mensagem. Foi aí que percebi que a situação era realmente grave”, contou.

Mesmo assim, Messi afirmou que continuou tentando avançar na competição pensando no pai. “Eu não parava de pensar em chegar o mais longe possível, para te dar tempo e para que você pudesse assistir a uma partida”, escreveu.

‘Não sei como seguir’

Em um dos trechos mais emocionantes da mensagem, Messi admitiu não saber como será a vida sem o pai. Ele também levantou dúvidas sobre quanto tempo ainda pretende continuar jogando futebol.

“É muito difícil imaginar que não vou mais te ver, que não vamos mais conversar”, escreveu o argentino. Em seguida, afirmou que sempre jogou futebol e que agora tem dúvidas sobre se continuará fazendo isso por muito mais tempo.

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A declaração ganhou repercussão internacional por indicar, ainda que sem confirmar uma decisão, que a morte de Jorge pode ter aumentado as incertezas de Messi sobre os próximos passos da carreira.

Messi terminou a homenagem agradecendo ao pai por tudo o que fez por ele e pela família. “Descansa em paz e cuida de nós lá de cima como fazia aqui. Obrigado por tudo”, escreveu. O jogador encerrou a publicação com uma declaração de amor: “Te amo, pai”.

Leia a carta na íntegra

“Pai, ainda não consigo acreditar que você se foi. Não consigo, o melhor dizendo, não quero acreditar. Está sendo muito difícil imaginar que não vou mais te ver, que não vamos mais conversar. Sei que você estava sofrendo e que isso é o melhor, mas você foi embora muito cedo. Ainda tínhamos muito para aproveitar juntos.

Você me pedia tanto que eu jogasse o último Mundial e, dias antes de começar, foi quando você piorou. Era a primeira vez que você não estaria em um torneio, mas mamãe me dizia que você estaria melhor e que estaria bem para poder viajar. Eu te dizia que chegaríamos à final para que você pudesse viajar.

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Cada vez que terminava uma partida, eu esperava e sentia falta da sua mensagem. Foi aí que percebi que a situação era realmente grave. Mesmo assim, eu não parava de pensar em chegar o mais longe possível, para te dar tempo e para que você pudesse assistir a uma partida. Chegamos à final e você não pôde estar lá. Eu queria ganhar para levar a taça até você e te mostrar uma nova. Não consegui, minhas pernas não aguentavam mais. Desta vez, tentei ir contra o meu físico, mas não consegui. Nunca consegui me sentir bem.

Quando cheguei, você achou que tínhamos perdido a final nos pênaltis. Não pudemos conversar sobre nada do que aconteceu. Você não pôde aproveitar nada. Não fomos campeões, mas você não sabe o quanto aproveitamos cada partida. Mais uma vez, você tinha razão: eu tinha que estar lá jogando.

Te conto isso porque foi a única coisa sobre a qual não pudemos conversar, porque todo o resto você já sabe. Conversávamos todos os dias e nos víamos quando era possível, por causa dos meus compromissos.

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Não sei o que vou fazer sem você, não sei como seguir. Eu só jogava futebol e agora tenho bastante dúvidas sobre o que vou continuar fazendo por muito mais tempo. Você esteve ao meu lado desde o começo, faltava tão pouco para o final. Por que você não aguentou só mais um pouquinho e terminávamos juntos?

Sei que a sua felicidade era me ver bem, junto da sua família, da sua mulher, dos seus filhos e, sobretudo, sem que os outros soubessem, ver-me jogar.

Desde pequenininho sempre foi assim. Você me levava a todos os treinamentos, apenas chegava de trabalhar. Muitas vezes me levava a mamãe porque você estava trabalhando.

Obviamente, aos jogos você não faltava a nenhum. Como você sofria vendo-me e como aproveitava, embora nunca me elogiasse muito.

Você foi pai, amigo e representante. Sempre era a pessoa que você tinha que ser em cada momento e nunca se equivocava em nada. Além de algumas repreensões e brigas, sempre tinha razão. No final, você acabava me dando razão, como você dizia.

Vou sentir muita saudade de você, mas você sempre estará presente, sobretudo na educação dos meus filhos, porque você os ensinou e os educou como fizeram comigo.

Descanse em paz e cuide de nós lá de cima, como fazia aqui. Obrigado por tudo.

Te amo, pai. ❤️”

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Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

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