Um candidato “de paródia” quase roubou a cena na eleição suplementar de Clacton, no Reino Unido. Count Binface — apelido que pode ser traduzido como “Conde Cara de Lixeira” — do comediante Jonathan David Harvey, obteve 27% dos votos concorrendo à cadeira na Câmara dos Comuns nesta quinta, ficando em segundo lugar atrás do próprio favorito ao pleito.
Quem venceu a disputa foi Nigel Farage, líder do partido nacionalista de direita Reforma Reino Unido, com 63% dos votos e 22.239 eleitores — cerca de mil a mais do que havia recebido nas eleições gerais de 2024.
Farage havia renunciado ao mandato em julho, após ser acusado de não declarar presentes de doadores de campanha avaliados em milhões de libras, mas decidiu disputar novamente. Ele nega as acusações, que devem voltar a ser investigadas por uma comissão da Câmara dos Comuns.
O “Conde” já enfrentou outros nomes de peso da política britânica ao vivo com seu personagem, incluindo os ex-premiês Boris Johnson e Rishi Sunak e o atual chefe de governo trabalhista, Andy Burnham, além de ter disputado duas vezes a prefeitura de Londres.
Propostas de campanha “Do Conde”
Cercada por entrevistas polêmicas, a campanha de Count Binface contou com propostas inusitadas, entre elas:
- Impostos “justos”: Reduzir os seus próprios impostos e aumentar os de absolutamente todo mundo.
- Habitação: Construir uma única casa popular com preço acessível no país.
- Limpeza e utilidade pública: Tapar os buracos das estradas britânicas utilizando cópias físicas impressas do manifesto eleitoral do Partido Trabalhista.
- Estatização da Adele: “Nacionalizar” a cantora pop britânica Adele para torná-la um bem público e patrimônio nacional.
Brasil teve um caso semelhante
Em 1988, o chimpanzé Macaco Tião recebeu 40 mil votos na disputa à prefeitura do Rio de Janeiro.
O “candidato” surgiu como forma de protesto contra a classe política da época, e foi uma iniciativa dos humoristas da revista Casseta Popular e e do pasquim Planeta Diário (que viria a dar origem ao grupo Casseta e Planeta).
Como o voto era em cédulas físicas, os eleitores decidiram lançar o nome de Tião no documento de papel, na hora da votação.
