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Dívida, segurança, Rodoanel e autocrítica de 2022: veja os destaques da sabatina de Kalil na Rede 98

Por Igor Teixeira Rede 98
02/09/2026 20:39 Atualizado há 29 minutos
(Foto: 98News)

O candidato ao governo de Minas Gerais Alexandre Kalil (PDT) abriu, nesta quarta-feira (2/9), a série de sabatinas da Rede 98 com os candidatos ao Palácio Tiradentes, no 98 Talks. Durante a entrevista, o ex-prefeito de Belo Horizonte colocou a renegociação da dívida do Estado como prioridade de um eventual governo, criticou a criação de um Ministério da Segurança Pública, questionou a prioridade dada ao Rodoanel Metropolitano e fez uma autocrítica sobre a derrota nas eleições de 2022.

Kalil também afirmou que pretende disputar a eleição sem vincular a candidatura a lideranças nacionais e disse que repetiria as medidas adotadas em Belo Horizonte durante a pandemia de Covid-19.

Dívida como ‘prioridade zero’

A situação fiscal de Minas esteve entre os principais assuntos da sabatina. Kalil afirmou que a dívida será o primeiro item de seu plano de governo e disse que pretende criar um gabinete de crise para atuar diretamente em Brasília nas negociações.

“Primeiro item do meu plano de governo é a dívida. […] Isso é a prioridade zero, zero. Eu já tô formando o gabinete de crise, que vai para Brasília, vai morar em Brasília”, afirmou.

O candidato relacionou a situação das contas públicas à capacidade de Minas de ampliar investimentos, contratar policiais e conceder reajustes aos servidores.

Kalil também comparou a situação mineira com grandes obras realizadas em outros estados.

“São Paulo está fazendo um túnel debaixo do mar. A Bahia está fazendo uma ponte sobre o mar, ligando Itaparica a Salvador. E nós estamos pagando a folha de pagamento”, disse.

Segurança pública

Na segurança, Kalil criticou a possibilidade de criação de um Ministério da Segurança Pública pelo governo federal. Para ele, a União deveria direcionar recursos aos estados, responsáveis pela gestão das polícias.

“Quem toma conta de polícia é o governo do estado. E, se quiser ajudar, tem um jeito fácil para burro que eu descobri desde que eu sou menino: bota dinheiro. Não cria ministério, não acende luz em prédio mais não”, afirmou.

O candidato defendeu que o governo federal distribua recursos entre os estados com destinação específica para a área.

“Pega um pacote de dinheiro e distribui para os 26 estados, determinando que seja investido na segurança pública”, disse.

Segundo Kalil, os governadores têm melhores condições de identificar as necessidades locais. “Brasília não sabe tudo, não. Nem aqui em Minas, nem em São Paulo, nem no Rio, mas cada um sabe onde é que aperta seu calo”, declarou.

Rodoanel e estradas de Minas

Kalil também falou sobre infraestrutura e fez críticas ao Rodoanel Metropolitano. O candidato ressaltou que não é contrário à obra, mas questionou o traçado e a prioridade do projeto diante das condições de outras rodovias mineiras.

“Eu não sou contra o Rodoanel. Eu sou contra o Rodoanel que passa no meio de uma fábrica que é a maior fornecedora da Fiat. Rasga a fábrica no meio”, afirmou.

Kalil citou dificuldades de deslocamento para o Norte de Minas e para Governador Valadares para defender investimentos na recuperação da malha rodoviária.

“Você não consegue ir pro Norte, cara. Você não consegue chegar aí em Governador Valadares. Ponto final. Nós temos rodovia intransitável. Como é que você tá pensando em Rodoanel?”, questionou.

Autocrítica sobre 2022

Ao avaliar a derrota na disputa pelo governo de Minas em 2022, Kalil assumiu a responsabilidade pelo resultado e disse que não atribui a derrota ao apoio recebido, à equipe da campanha ou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O derrotado fui eu. […] Eu não posso falar que o Lula me tirou ou me deu voto. […] Eu cometi erros e tô tentando evitá-los. Mas o grande derrotado fui eu e ninguém tem culpa, desde quem fez o marketing até quem me apoiou. O culpado, o único, fui eu”, afirmou.

Entre os erros, Kalil disse que deveria ter percorrido o interior do Estado com maior antecedência para ampliar o conhecimento do eleitorado sobre sua candidatura.

‘Minas não pode ser um grande palanque’

Kalil também afirmou que pretende disputar o governo de Minas sem associar a candidatura a nomes da política nacional. Segundo ele, a experiência dos últimos quatro anos mudou sua visão sobre a relação do Estado com as disputas presidenciais.

“O que o Kalil tem de diferente é que ele agora quer ser governador de Minas. Ele não tem Lula, ele não tem Bolsonaro, ele não tem Caiado, ele não tem ninguém”, disse.

Na sequência, afirmou que “Minas não passou de um grande palanque” nos últimos anos e que o Estado não pode ser “só um grande palanque eleitoral”.

Pandemia

Durante a sabatina, Kalil também foi questionado sobre a condução da pandemia de Covid-19 quando era prefeito de Belo Horizonte. Perguntado se adotaria novamente as mesmas medidas diante de uma situação semelhante, respondeu: “Exatamente o que eu fiz”.

O candidato citou a votação que recebeu na eleição municipal de 2020 para defender as decisões tomadas naquele período.

“Depois da pandemia teve eleição. Eu fui eleito com a maior votação da história de Belo Horizonte. […] Eu tive 66% dos votos. […] Quem fala é o povo”, afirmou.

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.