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‘Minas virou um Estado RH’, diz Kalil ao colocar dívida como ‘prioridade zero’

Por Igor Teixeira Rede 98
02/09/2026 19:40 Atualizado há 2 horas
(Foto: 98News)

O candidato ao governo de Minas Gerais Alexandre Kalil (PDT) afirmou nesta quarta-feira (2/9) que a renegociação da dívida do Estado será a “prioridade zero” de um eventual governo. Durante sabatina da Rede 98 com os candidatos ao Palácio Tiradentes, no 98 Talks, o ex-prefeito de Belo Horizonte disse que pretende montar um gabinete de crise para atuar em Brasília e criticou a capacidade de investimento do Estado. Kalil também questionou a prioridade dada ao Rodoanel Metropolitano diante das condições das rodovias mineiras.

Segundo Kalil, propostas para ampliar o efetivo policial, conceder reajustes aos servidores ou aumentar investimentos públicos dependem diretamente de uma solução para a situação fiscal de Minas.

“Vão falar que vão aumentar servidor, mentira. Vão falar que vão fazer isso, é mentira. Vão falar que vão botar 7.600 policiais para dentro, que é o que precisa, mentira. Sem a renegociação do Propag, que é esse envelope que colocaram na garganta de Minas Gerais, nós estamos caminhando para ser exatamente o que nós somos”, afirmou.

Para o candidato, o atual modelo fiscal limita o Estado ao pagamento das despesas básicas e reduz a capacidade de realizar grandes investimentos.

“Não há pergunta com respostas objetivas e sinceras sem falar na renegociação da dívida de Minas”, disse.

‘Prioridade zero’

Kalil afirmou que a dívida ocupa o primeiro lugar em seu plano de governo e que pretende criar uma estrutura específica para negociar a situação financeira de Minas com a União.

“Primeiro item do meu plano de governo é a dívida. Então, seria primeiro, isso seria prioridade. Isso é a prioridade zero, zero. Eu já tô formando o gabinete de crise, que vai para Brasília, vai morar em Brasília. Esse é o plano zero”, afirmou.

O candidato comparou a capacidade de investimento de Minas com obras realizadas em outros estados. Citou o túnel Santos-Guarujá, em São Paulo, e a ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica, na Bahia, para argumentar que Minas permanece concentrada no custeio da máquina pública.

“São Paulo está fazendo um túnel debaixo do mar. A Bahia está fazendo uma ponte sobre o mar, ligando Itaparica a Salvador. E nós estamos pagando a folha de pagamento”, declarou.

Kalil afirmou que, sem uma renegociação, Minas continuará funcionando, segundo ele, como um “Estado RH”, concentrado no pagamento da folha.

Kalil critica prioridade do Rodoanel

Ao tratar dos investimentos em infraestrutura, Kalil afirmou não ser contrário à construção do Rodoanel Metropolitano, mas questionou o traçado e a prioridade dada à obra diante da situação de outras rodovias do Estado.

“Eu não sou contra o Rodoanel. Eu sou contra o Rodoanel que passa no meio de uma fábrica que é a maior fornecedora da Fiat. Rasga a fábrica no meio”, disse.

O candidato também afirmou que as condições das estradas dificultam o deslocamento entre diferentes regiões mineiras e citou os acessos ao Norte de Minas e a Governador Valadares.

“Você não consegue ir pro Norte, cara. Você não consegue chegar aí em Governador Valadares. Ponto final. Nós temos rodovia intransitável. Como é que você tá pensando em Rodoanel?”, questionou.

Para Kalil, a renegociação da dívida seria o ponto de partida para recuperar a capacidade de investimento do Estado em áreas como infraestrutura, segurança e funcionalismo público.

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.