O senador Carlos Viana (PSD), candidato à reeleição ao Senado por Minas Gerais, defendeu, durante sabatina realizada pela 98 News, a manutenção dos incentivos fiscais como ferramenta de atração de investimentos, a ampliação das concessões de rodovias e a abertura do sigilo de investigações que envolvam agentes públicos e políticos. Entre os casos citados pelo parlamentar está a operação Dark Horse.
Questionado sobre os mais de R$ 26 bilhões em incentivos fiscais projetados no orçamento de Minas Gerais para 2027, Viana afirmou que não é favorável à redução dos benefícios quando eles são utilizados para atrair empresas e gerar empregos.
“Eu não sou contra incentivos fiscais. E volto a dizer: onde não existia nada, um distrito industrial vazio, o incentivo fiscal ajuda a ter emprego e renda da própria cidade. A gente precisa primeiro entender que quem gera emprego e renda, o Estado tem a obrigação de não atrapalhar e de investir”, afirmou.
O senador argumentou que o dinheiro correspondente à renúncia fiscal não deve ser analisado isoladamente, já que, segundo ele, a instalação de empresas também movimenta outros setores da economia.
“Você tem lá em Passos, por exemplo, um terreno, a cidade precisando de investimentos. Vai lá uma empresa de cervejas e diz: ‘Eu quero abrir aqui uma fábrica que vai faturar tantos bilhões de reais, gerar milhares de empregos, mas eu quero um incentivo para que eu possa fazer isso rapidamente’. Qual é a obrigação do Estado? Dar o benefício fiscal”, declarou.
“Você transforma um terreno vazio em uma área de produção. Gente, o dinheiro que se diz que faz falta hoje de benefício fiscal é dinheiro que não existia no passado”, acrescentou.
Viana também citou como exemplo uma fábrica instalada em Itabirito com benefício fiscal. Para ele, a política pode produzir efeitos econômicos que vão além da arrecadação direta.
“Ali tem um benefício fiscal que foi dado para a montagem da fábrica. Olha o quanto desenvolveu uma região que era um vazio. Então, quando se vai falar em benefício fiscal, antes de cair no discurso de que isso é dinheiro que está fazendo falta, vamos lembrar que ali foi feito um investimento para a geração de emprego e renda”, afirmou.
Viana defende concessões de rodovias
Na área de infraestrutura, o senador declarou ser favorável às concessões de rodovias e à cobrança de pedágio. Segundo ele, o modelo é necessário diante da dificuldade financeira do Estado para manter toda a malha rodoviária.
“Quando nós falamos em segurança, não há saída. Infelizmente, as concessões e os pedágios são o que garantem às pessoas a possibilidade de viajar melhor, de ter menos manutenção nos caminhões, de ter menos roubo de carga, de ter menos gasto de combustível. Isso já é provado”, disse.
Viana reconheceu que a cobrança pesa no bolso dos motoristas, mas afirmou que o modelo pode garantir melhores condições de circulação.
“Quando a gente fala em pagar pedágio, as pessoas têm razão quando dizem que nós já pagamos muito”, afirmou.
O candidato também defendeu que recursos relacionados à dívida de Minas Gerais sejam utilizados para financiar obras de infraestrutura. Entre as prioridades citadas estão a duplicação da BR-381, a expansão do metrô e a pavimentação de rodovias.
“Nós temos R$ 6 bilhões que Minas Gerais paga todo ano e é um dinheiro que vai embora. Nós vamos propor, eu como senador, nós vamos negociar com o governo federal que esses R$ 6 bilhões voltem para Minas, pelo menos na metade deles”, afirmou.
Segundo Viana, a utilização de parte desses recursos poderia viabilizar obras consideradas estratégicas para o estado. “Com R$ 3 bilhões a mais em caixa, nós fazemos a duplicação da BR-381 da saída de BH até Caeté”, declarou.
Senador defende abertura de sigilo da Dark Horse
Outro momento da sabatina tratou das investigações envolvendo autoridades e da discussão sobre a abertura de sigilos. Questionado especificamente se é favorável ao levantamento do sigilo da operação Dark Horse, Viana respondeu afirmativamente.
“Defendo. Toda e qualquer investigação”, afirmou. O senador disse que sua posição não está relacionada ao espectro político dos investigados e citou sua atuação em uma comissão parlamentar de inquérito.
“Eu quebrei o sigilo de direita e de esquerda. Eu não olhei para lado ideológico partidário. Por isso é que eu arrumei tantos inimigos para parar a investigação”, declarou.
Para Viana, a transparência deve valer para qualquer autoridade ou agente político que esteja sob investigação. “Todos nós temos que fazer isso. Eu entendo que é hora de o país fazer as instituições funcionarem. Tem Dark Horse, tem investigação a ser feita, então tem que dar declarações. Porque todo mundo pode ser investigado. Por que não?”, afirmou.
Durante a entrevista, Viana também voltou a defender o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pela condução dos pedidos de impeachment. O senador afirmou que o Congresso precisa exercer seu papel de fiscalização.
“Quem vota impeachment somos nós. Nós temos que estar aqui cobrando”, disse.
Viana ainda defendeu mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal e criticou decisões monocráticas de ministros. “Nós temos que acabar com decisões monocráticas, tem que ser decisões de turmas”, afirmou.
Ao encerrar o tema, o senador reforçou a defesa de investigações sem distinção entre autoridades. “Nós temos que dar respostas ao povo brasileiro. A nossa função é a gente passar a limpo esses casos de corrupção que estão hoje no Brasil”, concluiu.