A candidata ao Senado Áurea Carolina (PSOL) confrontou Marcelo Aro (PP), nesta terça-feira (08/9), ao citar um boletim de ocorrência registrado por uma ex-namorada do candidato há quase 20 anos, com relato de agressão. Durante sabatina promovida pelo g1, Áurea afirmou que o histórico de candidatos deve ser considerado no debate sobre violência contra as mulheres e disse que, apesar de o episódio não ter resultado em condenação, “a ficha está suja”. Aro negou ter agredido a ex-namorada, afirmou que a investigação não constatou a agressão e disse que a mulher posteriormente se retratou.
O caso citado pela candidata remonta a outubro de 2007. Conforme documento revelado pela Repórter Brasil e posteriormente noticiado por outros veículos, uma ex-namorada de Aro procurou a Polícia Civil de Minas Gerais e relatou ter sido vítima de “socos e pontapés” após o fim do relacionamento. Na época, Aro tinha 20 anos e a jovem, 17. O boletim também registrava relato de ameaças.
O registro de um boletim de ocorrência, isoladamente, não representa condenação nem comprovação judicial de que a agressão tenha ocorrido.
Áurea trouxe o episódio para a discussão enquanto abordava o enfrentamento à violência contra as mulheres.
“No tema do enfrentamento à violência contra as mulheres, é importante puxar a ficha e o histórico daqueles que vêm aqui falar grosso sobre o tema da segurança pública, mas que têm, há quase 20 anos, denúncia de agressão doméstica”, afirmou.
A candidata citou diretamente Aro e questionou o adversário sobre o episódio.
“O candidato Marcelo Aro foi denunciado, tem boletim de ocorrência por agredir a ex-namorada com socos e pontapés. Queria perguntar para ele qual é a resposta que ele daria para ele mesmo e o que tem a dizer a homens que cometem violência contra mulheres”, disse.
Aro nega agressão e chama Áurea de ‘mentirosa’
Aro reagiu às declarações e afirmou que nunca foi condenado por agressão contra mulher. O candidato também disse não responder a processo judicial relacionado ao episódio.
“Áurea, você faz política mentindo. Sua política é nojenta. Você é mentirosa. Eu não fui denunciado por nenhuma mulher e nunca fui condenado por absolutamente nada disso. Aliás, não respondo a nenhum processo judicial”, afirmou.
O candidato do PP chegou a dizer que deixaria a disputa e a vida política caso Áurea apresentasse uma condenação contra ele.
“Se você mostrar alguma condenação minha por agressão de mulher, eu renuncio à política, eu largo a política. Não seja mentirosa e leviana”, declarou.
Aro também atacou politicamente a adversária, criticou o mandato dela e afirmou que Áurea teria se limitado a apresentar-se como candidata apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
‘A ficha está suja’, rebate Áurea
Nas considerações finais, Áurea retomou o episódio. Desta vez, a candidata reconheceu que o caso pode não ter resultado em condenação, mas reiterou a existência do boletim de ocorrência.
“Tem, sim, um boletim de ocorrência. Talvez isso não tenha sido concluído e ele não tenha sido condenado, mas a ficha está suja. E nós trabalhamos para que isso nunca aconteça, que nenhuma mulher sofra violência”, afirmou.
Aro voltou a responder e argumentou que um boletim de ocorrência registra o relato apresentado à polícia e, sozinho, não comprova que o fato tenha acontecido.
“Boletim de ocorrência não é condenação. Se eu sair daqui agora, for na delegacia e fizer um boletim dizendo que você me deu cinco tapas, eles vão anotar. Isso não quer dizer que você me deu cinco tapas”, disse.
Segundo Aro, a apuração posterior não constatou a agressão e a mulher responsável pelo registro teria se retratado.
“Depois tem a investigação. E a investigação mostrou que não teve nada. E a pessoa que foi lá denunciar depois se retratou”, afirmou.
O candidato também mencionou a família ao lamentar a acusação durante a sabatina. Áurea, por sua vez, manteve a cobrança sobre o histórico do adversário e relacionou o episódio à discussão sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres.