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Gabriel Azevedo aciona Justiça contra Ben Mendes e cita prisão e casos envolvendo mulheres

Por Igor Teixeira Rede 98
08/09/2026 16:34 Atualizado há 2 horas
(Foto: Reprodução/ TMC MG)

O candidato ao governo de Minas Gerais Gabriel Azevedo (MDB) divulgou um vídeo nesta terça-feira (08/9) em que apresenta documentos policiais e judiciais relacionados ao adversário Ben Mendes (Missão). Gabriel cita uma prisão em flagrante em 2015, 14 registros de ocorrência enumerados pela Polícia Civil e investigações mais recentes, incluindo um inquérito no qual, segundo ele, consta despacho de indiciamento. Ao longo da gravação, o emedebista ressalta que registros, investigações e indiciamentos não equivalem a condenações e afirma que o objetivo é questionar o discurso de “moralidade” adotado pelo adversário.

A manifestação ocorre após Gabriel protocolar, em 4 de setembro, uma notícia-crime contra Ben por possíveis crimes de difamação e injúria eleitorais. A ação tem como origem declarações feitas durante um debate, quando Ben chamou o adversário repetidamente de “Gabriel mentirinha” e o acusou de espalhar “fake news”. Segundo Gabriel, dois direitos de resposta foram concedidos a ele pela banca jurídica do encontro em razão de falas do adversário.

No vídeo, Gabriel afirma que decidiu apresentar documentos sobre o histórico de Ben depois dos ataques sofridos no debate. O candidato contrapõe a própria trajetória à do adversário.

“Eu tenho 40 anos, há 20 anos eu participo da vida pública. Pode procurar passagem pela polícia, pode procurar processo criminal, pode procurar condenação, pode procurar corrupção, não vai encontrar. Já não posso dizer o mesmo de Ben Mendes”, afirmou.

Gabriel cita prisão e 14 registros

Entre os documentos apresentados está um relatório com registros policiais e judiciais relacionados a Ben. Gabriel afirma que o material registra uma prisão em flagrante ocorrida em Itambacuri, em fevereiro de 2015.

De acordo com o relato feito pelo candidato a partir da documentação, o procedimento daquele ano envolvia registros por desacato, exercício ilegal de profissão e recusa de dados sobre a própria identidade. Ben teria passado pelo presídio de Itambacuri e obtido liberdade provisória mediante fiança no dia seguinte. Posteriormente, ainda segundo Gabriel, o processo terminou por meio de transação penal, com cumprimento das condições e extinção da punibilidade.

O próprio candidato do MDB ressalta que a transação penal não representa uma condenação após julgamento de mérito.

“Eu faço questão de dizer isso, porque eu não preciso aumentar nada. Os fatos são suficientes”, declarou.

Gabriel também apresentou um levantamento produzido pela Polícia Civil em julho de 2025 que, segundo ele, enumera 14 registros de ocorrência nos quais Ben aparece qualificado como autor. O emedebista fez questão de diferenciar os registros de eventuais condenações.

“Eu não disse 14 condenações, não são. Eu disse 14 registros enumerados pela própria Polícia Civil, nos quais Benoni aparece qualificado como autor”, afirmou.

Segundo Gabriel, os registros incluem ocorrências classificadas como agressão e vias de fato, ameaça, atrito verbal, calúnia, constrangimento ilegal e difamação. Ele também reconhece que, em parte dos casos, o investigador responsável pelo levantamento registrou não ter obtido imagens nem identificado testemunhas que tivessem presenciado os fatos.

Casos envolvendo mulheres

Gabriel deu destaque a procedimentos que, segundo os documentos apresentados por ele, envolvem mulheres. Em um dos inquéritos em andamento, o candidato afirma haver um despacho de indiciamento com enquadramentos relacionados, entre outros pontos, a difamação, injúria, intimidação sistemática e violência psicológica contra a mulher.

“Indiciamento também não é condenação. Só que indiciamento não é simplesmente alguém fazer uma acusação num boletim de ocorrência. É um ato formal da autoridade policial dentro de uma investigação”, disse.

Em outro procedimento citado no vídeo, Ben e uma mulher aparecem, segundo Gabriel, simultaneamente como investigados e vítimas. O emedebista afirma que a mulher relatou ameaças e agressões físicas e que uma testemunha apresentou relato sobre parte do episódio.

Gabriel evitou apresentar uma das versões como conclusão sobre o ocorrido.

“Eu não vou escolher uma versão e apresentá-la como fato. Não sei quem agrediu. É para descobrir isso que existe investigação”, afirmou.

‘Esse histórico é compatível com alguém que pretende governar Minas?’

Depois de enumerar os documentos, Gabriel direcionou a crítica para a candidatura de Ben e para o discurso adotado pelo adversário durante o debate.

“Isso significa que Ben Mendes é culpado de tudo? Não. Imagina. Eu jamais diria isso. Culpa criminal é determinada com devido processo legal”, declarou.

Na sequência, fez um questionamento político aos eleitores.

“Esse histórico é compatível com alguém que pretende governar Minas Gerais? […] Eu tô mostrando que existe um histórico documentado e perguntando se esse histórico combina com o discurso de superioridade moral que Ben resolveu adotar no debate”, afirmou.

Notícia-crime após debate

Gabriel também explicou que apresentou à Justiça Eleitoral uma notícia-crime contra Ben após as declarações feitas no debate. Segundo ele, a medida foi protocolada em 4 de setembro e aponta, em tese, os crimes de difamação e injúria eleitorais.

O candidato afirma que foram anexados à medida as falas feitas durante o debate, a transcrição e documentos reunidos pelos advogados. Também foi solicitado o envio da íntegra da gravação do encontro e a remessa do caso ao Ministério Público Eleitoral.

“Eu apresentei os fatos. Agora cabe à Justiça e ao Ministério Público Eleitoral examiná-los, assegurar a defesa e decidir. Processar não é condenar. Eu acredito no devido processo legal”, disse.

Ao encerrar o vídeo, Gabriel voltou a afirmar que não considera registros policiais ou investigações como prova de culpa, mas sustentou que o histórico pode ser levado em consideração no julgamento político feito pelo eleitor.

“Eu não transformei nenhum deles naquilo que ele juridicamente não é”, afirmou. “Cada mineiro pode olhar para esse histórico, pode olhar para o comportamento no debate, pode olhar para a forma como Ben Mendes reage quando é contrariado e decidir se esse é o padrão de alguém que deveria receber autoridade para governar Minas Gerais. Eu já fiz o meu julgamento político. Para mim, não é.”

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.