O fim de semana foi marcado por uma série de decisões e pedidos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o caso Banco Master. A disputa sobre o acesso aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro marcou mais um capítulo dos embates entre integrantes da Corte, às vésperas da análise prevista para esta terça-feira (15/9). No centro da controvérsia também está a investigação sobre uma possível relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Na próxima terça-feira, o plenário do STF deve analisar a Petição 16.662, que trata da possibilidade de investigação sobre as supostas relações entre Moraes e Vorcaro. Até lá, ministros trocaram pedidos e decisões sobre o acesso às provas e o sigilo de processos relacionados ao caso.
Veja, ponto a ponto, o que aconteceu:
Sexta-feira: Zanin cobra acesso aos dados
O ministro Cristiano Zanin pediu duas vezes, na sexta-feira (11/9), que os ministros do STF tivessem acesso aos dados completos extraídos do celular de Daniel Vorcaro.
A discussão surgiu porque uma cópia do conteúdo havia sido encaminhada ao gabinete do relator do caso, André Mendonça, mas os demais ministros não tinham recebido o mesmo material. Mendonça respondeu que os dados estavam lacrados e que a cópia serviria como uma espécie de contraprova caso os arquivos originais fossem perdidos.
O relator também afirmou que a divulgação integral poderia prejudicar investigações ainda em andamento.
Sábado: Gilmar Mendes entra na discussão
No sábado (12/9), o ministro Gilmar Mendes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que tomasse as providências necessárias para que todos os ministros tivessem acesso aos dados brutos do celular de Vorcaro antes do julgamento.
Gilmar afirmou que o acesso seria necessário para que todos os integrantes da Corte conhecessem as informações relevantes antes da votação. Caso o material não fosse disponibilizado por Mendonça, ele pediu que a própria Polícia Federal fosse acionada para fornecer as cópias.
No mesmo dia, Fachin assumiu a relatoria do processo relacionado à suposta relação entre Moraes e Vorcaro. A mudança ocorreu depois que Mendonça remeteu a investigação para a Presidência do STF, seguindo uma determinação anterior de Fachin para que procedimentos envolvendo integrantes da Corte fossem encaminhados a ele.
Ainda no sábado: Moraes critica Mendonça
Também no sábado, Alexandre de Moraes criticou a forma como Mendonça vinha tratando o sigilo das investigações.
Moraes afirmou que o levantamento do sigilo estava sendo feito de maneira seletiva e acusou o relator de proteger “determinado grupo político”.
PGR reforça pedido de acesso integral
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também entrou na discussão. Em nova manifestação enviada a Fachin, o procurador-geral Paulo Gonet defendeu que todos os ministros tenham acesso irrestrito ao conteúdo extraído do telefone de Vorcaro.
Segundo Gonet, o acesso antecipado à íntegra dos dados é importante para que os ministros possam formar seus votos com conhecimento de todo o material relevante para o caso. O documento também foi assinado pelo vice-procurador-geral e por dois subprocuradores-gerais.
Domingo: Zanin dá prazo para PF entregar celular
No domingo (13/9), Zanin determinou que a Polícia Federal entregasse ao gabinete dele, até as 23h, uma cópia integral dos dados extraídos do celular de Vorcaro.
A ordem foi encaminhada ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e comunicada a Fachin. O aparelho é um iPhone 17 Pro apreendido em novembro de 2025, durante a primeira prisão de Vorcaro.
Zanin rebateu o argumento de Mendonça de que o compartilhamento poderia atrapalhar as investigações. Para ele, não há hierarquia entre os ministros e os elementos de prova devem estar disponíveis ao plenário.
Moraes pede abertura de outro processo
Ainda no domingo, Moraes pediu a Fachin o levantamento do sigilo da Petição 15.645. Segundo o ministro, o processo reúne informações necessárias para o julgamento de terça-feira.
O documento, distribuído por prevenção a Mendonça, teria detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master. Fachin determinou que a PGR se manifeste rapidamente sobre o pedido de retirada do sigilo.
Dino determina quebra de sigilo no caso Dark Horse
No domingo, Flávio Dino determinou a quebra do sigilo de materiais apreendidos em uma investigação sobre o uso de emendas parlamentares no financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Embora seja uma investigação diferente, Dino citou uma decisão recente de Mendonça sobre o caso Master para justificar a medida. O ministro afirmou que há uma mudança na jurisprudência em curso e que deveria seguir o mesmo entendimento em respeito ao princípio da colegialidade.
O que está em jogo na terça-feira?
A sessão extraordinária do STF está marcada para terça-feira (15/9). Os ministros vão analisar a Petição 16.662, relacionada às mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e à possibilidade de abertura de uma investigação sobre o ministro.
Até lá, a principal divergência entre os integrantes da Corte envolve justamente o acesso e a divulgação das provas. Enquanto Zanin, Gilmar, Moraes e a PGR defendem que os ministros tenham acesso integral aos dados, Mendonça afirma que o compartilhamento irrestrito pode prejudicar investigações em andamento.
