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Cleitinho pode vencer a eleição em Minas no primeiro turno?

Por Marina Schettini Rede 98
16/09/2026 06:00
Cleitinho tem 46,8% dos votos válidos na Quaest - para vencer em 1º turno, precisaria de 50% mais um voto (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Cleitinho tem 46,8% dos votos válidos na Quaest - para vencer em 1º turno, precisaria de 50% mais um voto (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

A mais recente pesquisa Quaest mostra que a vitória de Cleitinho Azevedo (Republicanos) em primeiro turno na disputa pelo governo de Minas não é um cenário impossível. Quando contados apenas os votos válidos, ele tem 46,8%, contra 15,2% de Patrus Ananias (PT), 13,9% de Alexandre Kalil (PDT) e 5,1% de Mateus Simões (PSD). E o dado ganha ainda mais relevância quando a série de levantamentos anteriores mostra que o senador vem crescendo e sustentando essa trajetória.

Além de parecer imune, até aqui, às denúncias sobre o uso de aeronaves particulares e às suspeitas de irregularidades envolvendo aliados, o senador surfa na crise do STF, beneficiado pelo histórico de críticas aos ministros da Corte. Diante do desalento da população, ele ganha pontos como o antissistema que prega ser. É como se a crise fosse o imponderável com que todo candidato sonha para vencer uma eleição.

E as campanhas de seus principais opositores? Elas negam trabalhar com a possibilidade de eleição em turno único e colocam o prazo da semana que começa em 20 de setembro como o fim do céu de brigadeiro do senador. A expectativa é que o eleitor mineiro, até agora alheio à disputa — pesquisas mostram que Minas é o Estado com a população mais desinteressada do país —, comece a prestar atenção na eleição e nas críticas ao preparo de Cleitinho para o cargo que pretende assumir, além de eventuais questionamentos sobre sua atuação como senador.

Mas, em eleição, ninguém joga parado, e a troca de afagos do início da disputa já dá lugar a um movimento para tentar a desidratar o senador. A campanha de Patrus levou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para responder, nas redes sociais — quintal de Cleitinho —, ao desafio do senador sobre as ações do governo federal em relação à dívida do Estado com a União.

Depois da resposta enganada ao irmão gêmeo do senador, Kalil disse que Cleitinho foge dos debates e não tem proposta para o Estado. Mateus Simões afirma que todas as propostas de Cleitinho já estão em execução por seu governo. Há ainda questionamentos sobre como acabar com cobranças como o IPVA e, ao mesmo tempo, dar aumento real ao servidor sem imprimir dinheiro. Seria mágica? E ainda Flávio Roscoe (PL) tenta colar no candidato uma proximidade com a esquerda.

É todo mundo atirando para todo lado, ainda sem uma articulação com foco definido. De todo jeito, é certo que o desejo externado pelo senador em um de seus vídeos recentes, em que aparece com uma pedra na mão, começa a se realizar: ir de pedra a vidraça. Que comecem os jogos.

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Marina Schettini
Marina Schettini
Jornalista com passagens pelos jornais O Tempo e Super Notícia. Formada pelo Uni-BH com especialização em culturas midiáticas pela UFMG, tem a política como sua principal área de atuação.