Minas Gerais conhece bem o valor das suas riquezas naturais. O desafio do nosso tempo é fazer com que essas riquezas também produzam conhecimento, inovação e emprego de qualidade para quem vive aqui.
A mineração continua sendo decisiva para a economia mineira: o estado concentra quase 30% dos empregos diretos da atividade mineral no Brasil, com mais de 79 mil postos de trabalho, segundo a FIEMG. Mas uma economia que depende fortemente da extração de recursos finitos precisa se preparar para o futuro. Diversificar a economia é aproveitar sua capacidade financeira para criar novas cadeias econômicas, deixando um legado real para os territórios minerados.
A demanda já existe. O 7º Mapa Mineiro para Qualificação Profissional, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), ouviu 878 empresas em 81 municípios e identificou 13.130 vagas associadas à demanda por formação. O levantamento mostra onde estão as dificuldades de contratação. Entre os cursos técnicos mais procurados estão Administração, Enfermagem, Contabilidade, Informática e Saúde Bucal.
Em Minas, a nova política industrial do governo federal, Nova Indústria Brasil (NIB), tem um potencial imenso, tanto para a independência econômica dos municípios após a exaustão mineral quanto para o objetivo nacional de soberania tecnológica e reindustrialização até 2033. A NIB pode ser um dispositivo-chave para a política estadual de diversificação das economias dos municípios mineradores (Lei nº 22.381/2016), que vem se mostrando insuficiente.
Minas Gerais pode começar pelas competências que já construiu. Em vez de concentrar a atividade na exportação do minério, o estado pode ampliar sua atuação na fabricação de produtos a partir desses materiais, aumentando o valor capturado no próprio território. Pode desenvolver fornecedores de tecnologias especializadas para a própria indústria, avançar em atividades como o turismo e a economia criativa e liderar soluções para uma transição energética responsável e consequente.
Para que essa transformação aconteça, o estado precisa tratar universidades e Institutos Federais como parte da sua política de desenvolvimento. São essas instituições que podem capacitar profissionais, produzir conhecimento e desenvolver tecnologias para fomentar novas atividades econômicas. Precisamos formar pessoas para os empregos que queremos criar.
É hora de decidir o que Minas Gerais quer produzir e quais postos de trabalho quer oferecer às próximas gerações. Defendo que nosso modelo de desenvolvimento esteja focado na ciência, na indústria com maior valor agregado, na inovação desenvolvida aqui e em oportunidades de qualidade para a população mineira. O foco, afinal, está no bem viver.
