O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que o Brasil não vai “terceirizar a responsabilidade” no combate às facções criminosas. O chefe do Executivo, então, ressaltou a urgência de ampliar a cooperação internacional para conter a expansão do crime organizado que atua além das fronteiras nacionais.
“O Brasil não subestima o crime organizado, trabalhadores são roubados, mães perdem filhos, policiais não voltam para casa. Não vamos terceirizar nossa responsabilidade de proteger fronteiras, não precisamos de vigias para nossas armas.”
Tradição no mais importante debate diplomático global em Nova York, o Brasil foi o primeiro país a discursar no evento que reúne líderes de 193 nações. De acordo com a avaliação apresentada pelo presidente, o enfrentamento a redes transnacionais exige compartilhamento de inteligência e atuação conjunta entre forças de segurança de diferentes governos.
Cooperação e combate à lavagem de dinheiro
“Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos”, afirmou Lula.
A declaração, portanto, reforça o diálogo e a parceria mantida com os países vizinhos da América do Sul e com o governo norte-americano para cercar a estrutura financeira das facções. Dessa forma, o presidente defendeu que a integração entre órgãos estatais e governos estrangeiros é o único caminho para fechar as brechas exploradas pelos criminosos nos últimos anos.
“Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por crime novel brasileiro no exterior. Por muito tempo, o Estado brasileiro atuou cada um à sua maneira, o crime se aproveitou da falta de coordenação. Mas isso está mudando”, disse.
