Atlético e Cruzeiro podem perder, juntos, cerca de R$ 100 milhões por ano em receitas com bets após o governo federal determinar o encerramento das operações das casas de apostas no Brasil. A medida foi estabelecida por meio de uma Medida Provisória (MP) editada nessa sexta-feira (25/9). Os valores foram levantados pelo colunista da Rede 98 Jorge Nicola.
O impacto é maior no Atlético. O clube tem contrato de patrocínio máster com a H2 Bet no valor de R$ 60 milhões anuais, montante equivalente a 12,8% da arrecadação atleticana. No Cruzeiro, o acordo com a BetNacional representa outros R$ 35 milhões por ano, ou 6,2% das receitas correntes do clube.
Antes da edição da MP, o Cruzeiro havia se posicionado contra a proibição das casas de apostas. Em manifestação feita no dia 17 de setembro, o clube ressaltou a participação dos recursos provenientes dessas empresas no financiamento do futebol brasileiro. O Atlético, por outro lado, não havia divulgado posicionamento oficial sobre a proibição até a publicação da medida.
A decisão afeta diretamente uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro. Atualmente, 14 dos 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro têm empresas de apostas como patrocinadoras máster.
Em 2025, os contratos do setor movimentaram R$ 1,14 bilhão e representaram 7,9% dos R$ 14,9 bilhões faturados pelos clubes da primeira divisão.
Veja quanto os clubes arrecadaram com bets em 2025
- Corinthians (Esportes da Sorte): R$ 150 milhões por ano — equivalente a 17,3% da receita total de R$ 863,68 milhões;
- Palmeiras (Sportingbet): R$ 120 milhões por ano — equivalente a 6,93% da receita total de R$ 1,73 bilhão;
- São Paulo (Superbet): R$ 80 milhões — equivalente a 7,48% do faturamento de R$ 1,07 bilhão;
- Atlético (H2 Bet): R$ 60 milhões por ano — equivalente a 12,8% da arrecadação total;
- Santos (7k): R$ 51 milhões — equivalente a 8% do faturamento de R$ 573,6 milhões;
- Cruzeiro (BetNacional): R$ 35 milhões por ano — equivalente a 6,2% das receitas correntes.
Plataformas serão retiradas do ar em outubro
A MP estabelece um cronograma para o encerramento das atividades. Desde a publicação da medida, nessa sexta, as plataformas estão impedidas de receber novos aportes financeiros.
Os apostadores terão até 23h59 do dia 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores mantidos nas contas. No dia seguinte, 6 de outubro, sites e aplicativos deverão ser desativados e retirados do ar.
Nos dias 7 e 8, as empresas deverão encaminhar às instituições financeiras relatórios dos saldos que ainda permanecerem nas plataformas, com os valores discriminados por CPF. A devolução desses recursos aos usuários está prevista para ocorrer entre 9 e 14 de outubro, por meio da rede bancária e da Caixa Econômica Federal.