O espetáculo “NÓS ou NINGUÉM PODIA OUVIR OS OLHOS DELA”, da Cia. Entre Nós, estreia nesta sexta-feira (2/10), no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH), com uma montagem inspirada em histórias reais para abordar diferentes formas de violência contra a mulher. Com dança-teatro, jazz tocado ao vivo e classificação indicativa de 16 anos, a peça terá apresentações gratuitas até 26 de outubro, de sexta a segunda-feira, às 19h, além de sessões acessíveis e atividades formativas.
Com atuação e coreografias de Daniela Rosa e Rafael Bougleux e direção de Fernando Gimenes, a montagem parte de casos como o da cantora Eliane de Grammont e de referências à trajetória de Nina Simone para discutir violências presentes em relações amorosas.
No palco, um casal ouve jazz enquanto os corpos dos atores expõem momentos de afeto e conflito. A proposta é tratar de situações que vão de violências sutis e cotidianas às formas mais explícitas de agressão.
“O corpo vem antes, sempre. Ele denuncia o espírito. Ele denuncia a realidade mesmo que a palavra tente confundir ou organizar o discurso verbal”, afirma o diretor Fernando Gimenes.
Histórias reais inspiram espetáculo
Entre as histórias que serviram de inspiração está a da cantora Eliane de Grammont, assassinada a tiros no palco pelo ex-marido, o cantor Lindomar Castilho, em 1981. A criação também reúne referências de artistas como Dione Carlos, Suzanne Lacy, Nan Goldin e Nina Simone.
Segundo Daniela Rosa, fundadora da Cia. Entre Nós e idealizadora do trabalho, a criação surgiu da intenção de levar ao palco experiências e relatos relacionados à violência contra as mulheres.
“Eu sentia a necessidade de usar o corpo e a dança-teatro não apenas como expressão estética, mas como uma ferramenta política e pessoal”, afirma.
A montagem estreou originalmente em 2015 e permanece no repertório da companhia. Para Daniela, a continuidade do espetáculo também está relacionada à permanência da violência de gênero como tema social.
“O palco vira um alto-falante para denunciar o que muitas vezes é empurrado para debaixo do tapete”, diz.
Jazz é executado ao vivo
A trilha sonora é apresentada ao vivo por Renata Prado e Wendel Dima. Segundo a companhia, a escolha do jazz procura aproximar o ritmo musical da pulsação e dos movimentos dos corpos em cena.
O repertório também presta homenagem a Nina Simone. A trajetória da cantora aparece como uma das referências utilizadas pela montagem para abordar relações abusivas.
Espetáculo terá sessões acessíveis
A temporada segue até 26 de outubro, de sexta a segunda-feira, às 19h, no Teatro II do CCBB BH. Não haverá apresentação no domingo (4/10), devido às eleições. Já no sábado (10/10), serão realizadas duas sessões, às 15h e às 19h.
As apresentações de 16, 17, 18 e 19 de outubro terão interpretação em Libras e audiodescrição.
Caso haja segundo turno das eleições, a apresentação prevista para 25 de outubro será transferida para o sábado (24/10), às 15h.
Oficina e bate-papo gratuitos
A programação também inclui um bate-papo com o elenco e o diretor no sábado (3/10), depois da apresentação. A participação é gratuita e não exige retirada de ingresso, mas está sujeita à lotação do teatro.
No dia 17 de outubro, das 10h às 13h, a companhia realiza a oficina “Corpos que não se calam”. A atividade utiliza corpo, espaço, presença e imagem para investigar artisticamente a violência contra a mulher.
A oficina é destinada a artistas, estudantes e demais interessados a partir dos 18 anos. São 20 vagas, com inscrições gratuitas.
Serviço
Temporada: 2 a 26 de outubro
Dias: sexta a segunda-feira
Horário: 19h
Local: CCBB BH – Teatro II
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos
Ingressos: gratuitos, com retirada pelo site do CCBB BH ou na bilheteria. Um novo lote será disponibilizado exclusivamente na bilheteria uma hora antes de cada apresentação.
Sessões acessíveis: 16, 17, 18 e 19 de outubro, com Libras e audiodescrição.
Oficina “Corpos que não se calam”: 17 de outubro, das 10h às 13h. Inscrição gratuita. Classificação de 18 anos e 20 vagas.