O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16/10), durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, que a saída do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria a principal medida para reorganizar as contas públicas do país. O senador também prometeu reduzir o número de ministérios, melhorar a gestão das estatais e ampliar receitas federais por meio de imóveis públicos, cobrança de dívidas e exploração de petróleo.
“O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula. Ele hoje é o maior problema para esse desencontro de contas”, declarou o candidato, ao responder a uma pergunta sobre equilíbrio fiscal.
Flávio atribuiu ao atual governo a elevação dos juros e comparou a taxa atual com projeções feitas pelo mercado financeiro em outubro de 2022, quando Jair Bolsonaro ainda ocupava a Presidência.
Segundo o senador, o Boletim Focus daquele período estimava juros próximos de 7% para 2026, enquanto a taxa estaria atualmente em 14%. Ele calculou que a diferença de sete pontos percentuais representaria quase R$ 1 trilhão em despesas adicionais ao longo de quatro anos.
A estimativa apresentada por Flávio, no entanto, é uma projeção do candidato e não demonstra, por si só, quanto o governo teria economizado, já que o custo da dívida pública depende de fatores como sua composição, os prazos dos títulos e a evolução das taxas de juros.
Flávio promete cortar ministérios e ampliar receitas
Na entrevista, Flávio Bolsonaro também prometeu reduzir em pelo menos dez o número de ministérios do governo federal, que, segundo ele, atualmente conta com 39 pastas. O candidato reconheceu, porém, que a medida teria impacto limitado sobre as despesas públicas.
“Hoje vocês sabem que o atual governo tem 39 ministérios. A gente vai cortar pelo menos dez. É óbvio que isso não gera um grande impacto nas contas, não gera uma economia na proporção de R$ 200 bilhões por ano”, afirmou.
O senador também comparou os resultados das empresas estatais nos governos de Jair Bolsonaro e Lula. Segundo ele, as empresas teriam registrado R$ 18 bilhões de lucro na gestão anterior e R$ 36 bilhões de prejuízo na atual, o que representaria uma diferença de R$ 54 bilhões.
Flávio não detalhou, durante o trecho da entrevista, quais empresas ou indicadores utilizou na comparação.
Outra proposta apresentada pelo candidato envolve o aproveitamento de imóveis da União. Ele afirmou que o governo federal possui mais de 30 mil propriedades, muitas delas abandonadas, e defendeu a criação de um fundo para administrar esses ativos.
De acordo com Flávio, o patrimônio imobiliário federal teria avaliação de aproximadamente R$ 1,7 trilhão, e a operação poderia gerar cerca de R$ 200 bilhões em novas receitas.
O candidato também propôs antecipar recursos relacionados a dívidas que a União tem a receber, por meio de operações de securitização, e estimou uma arrecadação adicional de R$ 200 bilhões por ano.
Exploração de petróleo também entra nas propostas
Flávio Bolsonaro defendeu ainda a exploração de petróleo na Margem Equatorial, especialmente na região do Amapá. Segundo o candidato, a iniciativa já integrava as propostas de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
O senador criticou Lula pelo andamento do projeto e afirmou que a atividade poderia gerar novas receitas para o governo federal.
“Olha só como tem muitas receitas novas a serem feitas. E tem despesas para serem cortadas, principalmente combatendo a corrupção e fazendo uma gestão com inteligência artificial, que é o que eu vou propor”, concluiu.
As cifras apresentadas pelo candidato representam estimativas e propostas de campanha, não receitas já disponíveis ao orçamento federal. A realização das operações dependeria de condições econômicas, jurídicas e administrativas.