O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de atuar politicamente em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta sexta-feira (16/10), o senador defendeu mudanças no Judiciário, criticou a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e afirmou que ministros do Supremo devem responder por eventuais crimes de responsabilidade. Flávio também descartou indicar o irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores e disse que não discutiu a possibilidade de oferecer um cargo ao pai.
Ao comentar a atuação do STF, Flávio afirmou que a instituição precisa ser preservada, mas acusou Moraes de ultrapassar os limites de suas atribuições e perseguir adversários políticos do governo federal.
“Nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes continuar dando canetada, interferindo em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, declarou.
O senador também afirmou que uma reforma do Judiciário deveria buscar a recuperação da credibilidade da Justiça brasileira. Segundo ele, a atuação de ministros do Supremo não pode ser confundida com o trabalho de toda a magistratura.
“Eles já acabaram com a credibilidade do Poder Judiciário, e essa reforma no Judiciário também tem que caminhar para o resgate dessa credibilidade. Porque a magistratura toda não é Alexandre de Moraes”, afirmou.
Flávio citou a Lei nº 1.079/1950, que trata dos crimes de responsabilidade, para defender a responsabilização de ministros do STF que eventualmente descumpram a legislação. O candidato sustentou que Moraes teria cometido irregularidades ao tomar decisões contra adversários políticos.
“A lei tem que valer para todo mundo. A Lei 1.079, que é a lei de impeachment, estabelece quais são os crimes de responsabilidade. Se um ministro do Supremo Tribunal Federal incorrer em uma daquelas hipóteses, é obrigação do Senado Federal iniciar um processo de impeachment”, disse.
Na sequência, o senador acusou Moraes de exercer influência política em Brasília e de atuar para aproximar integrantes do Congresso Nacional do governo Lula.
“Hoje, o que está acontecendo? Alexandre de Moraes virou o articulador político do Lula em Brasília. Então, não dá para admitir um ministro do Supremo tendo uma atuação político-partidária”, declarou.
As afirmações sobre perseguição política e articulação partidária são acusações feitas pelo candidato e não foram acompanhadas de provas no trecho da entrevista.
Flávio questiona condenação de Jair Bolsonaro
Durante a sabatina, Flávio Bolsonaro também voltou a contestar a condenação de Jair Bolsonaro. O senador afirmou que o julgamento teria sido conduzido por ministros que, segundo ele, mantinham relações de adversidade política com o ex-presidente.
“O presidente Bolsonaro foi condenado numa farsa, foi condenado pelos seus inimigos. Vamos lembrar aqui: Alexandre de Moraes votou para condenar o presidente Bolsonaro pelo golpe da Disney”, afirmou.
Flávio também questionou a responsabilização do pai por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e aos ataques às instituições.
“Ele foi acusado de depredar patrimônio público por Wi-Fi, à distância. Então, quem foi que julgou ele? Alexandre de Moraes, um inimigo declarado dele”, disse.
O candidato mencionou ainda os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, questionando a imparcialidade de ambos em razão de seus vínculos anteriores com o governo Lula.
As críticas representam a interpretação de Flávio sobre o processo. A condenação de Jair Bolsonaro foi proferida pelo STF, e as alegações de parcialidade apresentadas pelo senador não anulam, por si só, a decisão judicial.
Flávio descarta Eduardo como chanceler e fala sobre cargo para o pai
Questionado sobre a possibilidade de nomear familiares para um eventual governo, Flávio Bolsonaro afirmou que Jair Bolsonaro nunca pediu um cargo e que o assunto não foi discutido entre os dois.
“O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo, nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo. Eu tenho o privilégio de, na hora que precisar consultar um ex-presidente da República, ter dentro de casa alguém de confiança”, declarou.
Ao ser questionado diretamente se nomearia o pai, o candidato respondeu que a possibilidade não estava em seus planos naquele momento.
“Nunca tratou disso comigo. Então, não está no radar”, afirmou.
Sobre o irmão Eduardo Bolsonaro, Flávio elogiou a atuação internacional do ex-deputado e destacou os contatos construídos com lideranças conservadoras ao longo dos anos. Entretanto, descartou indicá-lo para comandar o Ministério das Relações Exteriores.
“O Eduardo faz, sim, um trabalho brilhante. Ele construiu, ao longo de mais de dez anos, um relacionamento internacional com vários líderes políticos conservadores”, disse.
Quando questionado se Eduardo seria seu chanceler, Flávio respondeu: “Não será chanceler”.