O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) negou nesta sexta-feira (16/10), durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, que tenha cometido irregularidades ao solicitar patrocínio privado para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Questionado sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador afirmou que os recursos destinados à produção eram lícitos, defendeu a prestação de contas do projeto e citou supostas relações do empresário com aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio afirmou que a produção cinematográfica foi concluída com recursos de investidores privados e sustentou que não houve qualquer contrapartida relacionada ao exercício de seu mandato no Senado.
“Eu estou falando de um pedido de um patrocínio privado para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República, para fazer um filme do Jair Bolsonaro”, declarou.
Segundo o candidato, a produtora responsável pelo longa-metragem no Brasil prestou contas dos valores recebidos e utilizados. Ele também afirmou que os recursos foram empregados com autorização do fundo responsável pelo financiamento.
“Quem produziu o filme aqui no Brasil, a produtora, prestou contas de tudo. Não tinha um centavo que a produtora usava e que não tivesse autorização do fundo”, disse.
O senador também defendeu a produção e afirmou que o público poderá assistir ao filme em breve. Ele classificou a obra como uma homenagem ao pai.
Flávio cita Globo e cobra investigação sobre suposto áudio
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro mencionou contratos de publicidade e eventos relacionados ao Banco Master, ligado a Daniel Vorcaro, para argumentar que relações comerciais com o empresário não representam, por si só, irregularidades.
O candidato citou valores que, segundo ele, teriam sido pagos para ações publicitárias na Globo, incluindo o programa apresentado por Luciano Huck. As cifras foram apresentadas pelo senador sem documentação comprobatória no trecho da entrevista.
“E o que tem de errado nisso? Nada, né?”, questionou Flávio, ao defender que a existência de contratos comerciais não configura automaticamente uma irregularidade.
O senador também mencionou um áudio atribuído a Vorcaro e afirmou que a gravação indicaria diferenças entre os financiamentos de produções cinematográficas relacionadas a Jair Bolsonaro e Lula.
“A própria defesa confirmou que a voz era dele. O que ele fala nesse áudio? Que o filme do Bolsonaro foi tudo legal, dentro da lei, e que o filme do Lula, onde ele botou R$ 30 milhões por fora, não institui Lula. Isso precisa ser investigado”, afirmou.
Flávio acusou ainda pessoas próximas ao presidente Lula de manter relações com Vorcaro e de oferecer contrapartidas em negociações envolvendo patrocínios. As alegações foram feitas pelo candidato durante a entrevista e não constituem, por si só, comprovação de irregularidades.
O trecho da sabatina também registra intervenções dos apresentadores para questionar e esclarecer as afirmações do senador sobre a gravação.