O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou Flávio Bolsonaro (PL) por ter votado contra a ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Durante o último debate presidencial, realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23/10), Lula questionou a mudança de posição do adversário, que reconheceu ter cometido um erro e afirmou que atualmente votaria a favor da medida.
Lula retomou o assunto, abordado em um debate anterior, e pediu que Flávio explicasse seu voto contrário à ampliação do benefício.
“Eu queria que ele olhasse nos olhos das mães que estão na Câmara para me dizer por que ele foi o único deputado estadual do Rio de Janeiro a votar contra o aumento da licença-maternidade”, questionou o presidente.
Flávio respondeu que, na época, acreditava que a ampliação do período de afastamento poderia dificultar a contratação de mulheres. O senador reconheceu que sua avaliação estava equivocada.
“Na época, eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, e eu estava errado”, declarou.
O candidato afirmou que mudou de opinião depois de se casar e ter duas filhas. Segundo ele, atualmente apoiaria a ampliação da licença-maternidade, inclusive para períodos superiores a 180 dias.
Lula questiona mudança de posição
Na réplica, Lula criticou a justificativa do adversário e afirmou que Flávio teve a oportunidade de apoiar a medida quando exercia mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
“Quando ele teve a chance de votar, ele não votou. É importante que cada brasileiro olhe. Ele teve a chance de votar para aumentar o auxílio-maternidade e ele não votou”, afirmou.
O presidente também associou a mudança de posição de Flávio ao crescimento da participação feminina na política.
“Agora que ele é candidato, está vendo que as mulheres estão mais ativas, estão mais na vida política, estão brigando mais, ele vem aqui dizer: ‘Agora eu vou votar’. Não votou quando podia votar”, criticou.
Ao final da intervenção, Lula iniciou outro questionamento sobre declarações anteriores de Flávio a respeito do Bolsa Família. O presidente perguntou por que o adversário teria chamado o programa social de “Bolsa Farelo”.
O confronto ocorreu no último debate entre os presidenciáveis antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25/10).