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‘Atritos desnecessários’, diz Zema sobre postura de Mateus Simões na transição

Por Igor Teixeira • Rede 98
27/10/2026 14:34 Atualizado há 1 hora
(Foto: 98News)

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) criticou a postura do atual governador Mateus Simões (PSD) durante a transição para o governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos). Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da 98 News, nesta terça-feira (27/10), Zema afirmou que Simões pode estar provocando conflitos desnecessários e defendeu que as divergências sejam resolvidas em reuniões privadas, sem exposição pública.

“Acho até que, nesse momento de transição, parece que está havendo atritos desnecessários e que, pelo meu entender, talvez ele esteja provocando sem necessidade nenhuma”, declarou.

Apesar das críticas, Zema afirmou que mantém uma boa relação com Mateus, que foi secretário-geral durante seu primeiro mandato e vice-governador no segundo. O ex-governador ressaltou que os dois possuem estilos diferentes de administração, mas que respeita a maneira de trabalhar do antigo aliado.

“É a mesma relação, não mudou nada. O Mateus foi uma pessoa muito importante no meu primeiro governo, como secretário-geral, e no segundo governo, como um vice-governador muito atuante”, afirmou.

Zema critica exposição de divergências

Questionado sobre quais dificuldades poderiam ser evitadas na transição, Zema defendeu que os envolvidos discutam os problemas diretamente, sem transformar as divergências em disputas públicas.

“Se tem alguma coisa, que seja dito numa sala. Chame lá o atual governador Mateus Simões, Cleitinho, Falcão, e que eles discutam ali. Pode ter desavenças. Você não precisa ficar, às vezes, lavando roupa suja em público”, declarou.

O ex-governador afirmou que a exposição dos desentendimentos pode prejudicar o trabalho da próxima administração estadual.

“Agora, você ficar criando dificuldades para a nova gestão, isso vai estar atrapalhando o futuro de 21 milhões de mineiros”, disse.

Zema também comparou a situação atual com a transição entre o governo de Fernando Pimentel (PT) e sua primeira gestão, iniciada em janeiro de 2019.

Segundo ele, sua equipe recebeu poucas informações sobre a situação financeira do estado e só tomou conhecimento da dimensão dos problemas após assumir o Executivo.

“Na migração do governo PT Pimentel para o meu, não teve transição porque não apresentaram nada. Nós só tomamos conhecimento da tragédia no dia 2 de janeiro. Mas ninguém vai ver uma declaração minha reclamando”, afirmou.

Para Zema, é necessário haver mais disposição para colaborar com a equipe que assumirá o governo.

“Acho que está faltando uma boa vontade, um espírito de cavalheirismo, de gentileza com quem vai assumindo o estado”, declarou.

Ex-governador se coloca à disposição de Cleitinho

Durante a entrevista, Zema revelou que conversou nesta terça-feira com o vice-governador eleito Luís Eduardo Falcão (Republicanos) e ofereceu ajuda à futura administração.

O ex-governador afirmou que está disponível para compartilhar informações sobre a gestão estadual e indicar profissionais com quem trabalhou.

“Hoje, mais cedo, eu estive com esse governador eleito Falcão. Falei com ele que estou à disposição, caso ele queira me consultar sobre algum tema, sobre alguns profissionais com quem eu tive contato, que eu quero contribuir para que esse novo governo seja o melhor possível”, disse.

Zema ressaltou que o objetivo deve ser facilitar o início da próxima gestão, independentemente das diferenças políticas.

Zema diz que recusou possibilidade de disputar o Senado

O ex-governador também comentou as sugestões recebidas para disputar uma vaga no Senado Federal em vez de manter sua candidatura presidencial pelo Novo.

Segundo ele, integrantes do partido e pessoas de fora da legenda chegaram a apresentar a proposta, mas os acordos eleitorais já estavam definidos.

“Houve algumas pessoas de dentro do partido e de fora que chegaram a fazer essa proposta: vá para o Senado. Mas já estava tudo costurado, o apoio do partido a alguns candidatos já tinha sido definido”, afirmou.

Zema disse que preferiu manter os compromissos assumidos, mesmo diante da possibilidade de derrota.

“Tem hora que eu acho que você entra em campo, a regra está dada. Se você perdeu, paciência, faz parte do jogo também perder”, declarou.

O ex-governador afirmou que não se arrepende da decisão e destacou que o Novo conseguiu atingir seu principal objetivo eleitoral.

“Eu procurei ser coerente. Estou com a minha consciência limpa. O grande objetivo, o Partido Novo cumprir a cláusula de barreira, foi cumprido”, disse.

Na avaliação de Zema, uma eventual mudança de candidatura não teria alterado os resultados das eleições estaduais ou federais.

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.