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Lula anuncia ‘Gás do Povo’ em BH, sinaliza apoio a IF na Serra e critica Bolsonaro

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O presidente também lembrou do orçamento participativo em Belo Horizonte e prometeu obras contra deslizamentos de encostas na Serra (Canal Gov/Reprodução)

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Em visita a Belo Horizonte nesta quarta-feira (4/9), o presidente Lula anunciou a criação do programa Gás do Povo, que promete atender 17 milhões de famílias em todo o país com fornecimento gratuito de botijões de gás. O evento ocorreu na Serra, maior aglomerado de Minas Gerais, e contou com a participação do prefeito Álvaro Damião, ministros, parlamentares e lideranças comunitárias.

Expansão do Vale Gás

Lula explicou como funcionará o novo programa e criticou a disparidade entre o valor de produção da Petrobras e o preço final pago pela população.

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“Nós viemos aqui para anunciar um novo programa que a gente tá fazendo para garantir que as pessoas mais humildes do país, que não têm dinheiro para comprar um botijão de gás, que sai da Petrobras a R$ 37. Ele chega em muitos lugares a R$ 150, a R$ 140, a R$ 130. É um absurdo a diferença entre o preço da Petrobras e o preço que o gás chega. Então, nós resolvemos, já que tinha um grupo de gente recebendo o Vale Gás, aumentar o programa. Ao invés de atender 5 milhões de pessoas, nós vamos atender 17 milhões de famílias, que chega a quase 50 milhões de pessoas.”

Segundo o presidente, o acesso será garantido por quatro instrumentos: aplicativo da Caixa Econômica Federal, vale emitido em lotéricas, cartão do Bolsa Família e um cartão específico do “Gás do Povo”.

“Aplicativo, vale gás, cartão do Bolsa Família e cartão próprio do gás do povo. Quatro formas de ter acesso ao gás. Aonde não tiver loja, as distribuidoras serão obrigadas a instalar um ponto de revenda. O gás do povo tem que ir daquele jeito ali, ó, com aquela marca e todas as lojas padronizadas. Gás do povo, governo, Brasil do lado do povo brasileiro.”

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Lembrança pessoal

O presidente relembrou dificuldades da infância para exemplificar a importância do programa. “Eu sei o sofrimento que vocês passam quando passa o gás cantando a musiquinha e a gente não tem o dinheiro para pegar. Eu sei muito bem o que vocês passam. Eu sei quantas vezes eu tive que ir até a última venda, mais de 6 km longe da minha casa, pegar botijão de gás e carregar nas costas. Não é à toa que vocês percebem que eu não tenho pescoço, de tanto carregar botijão de gás na cabeça para evitar que faltasse gás na minha casa.”

Pedido de apoio e Instituto Federal na Serra

O prefeito Álvaro Damião pediu ao presidente a instalação de um Instituto Federal na região da Serra. Lula respondeu com sinalização positiva. “Não vou fazer igual a Maria fez na semana passada, colocou o presidente em saia justa pedindo um monte de coisa. Mas uma coisa eu vou pedir aqui para o senhor: contemple Belo Horizonte, contemple principalmente o povo mais simples de uma favela como eu nasci em uma delas. Traga aqui para a Serra o Instituto Federal, porque filho de pobre pode ser forte também.”

Críticas a Bolsonaro: “Nem barata tem sangue amarelo”

Lula fez duras críticas ao governo anterior, afirmando que recebeu o Brasil “destruído” e rebatendo o discurso do “verde e amarelo”.

“Quando ganhamos as eleições em 2022, nós encontramos esse país todo esburacado, com obras paralisadas. Aquele que foi presidente não governou esse país, ele destruiu esse país. A merenda escolar ficou 10 anos sem aumento. O salário mínimo, 7 anos sem aumento. Acabaram com o Ministério da Cultura, dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos, da Mulher, do Trabalho. Tivemos que reconstruir tudo”, disse.

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“Cadê a casa verde e amarela que eles iam construir? Cadê a carteira verde e amarela? Não tem nada verde e amarelo. Eles podem ter um sonho amarelo. O meu é vermelho. O meu sangue é vermelho, da cor do sangue de toda a humanidade, de todo animal vivo no mundo. Não tem ninguém com sangue amarelo. Nem barata tem sangue amarelo”, continuou ele.

Orçamento participativo e obras em BH

O presidente também lembrou do orçamento participativo em Belo Horizonte e prometeu obras contra deslizamentos de encostas na Serra.

“Eu estava olhando aquele barranco ali e pensei: tem que fazer uma obra para evitar que isso aqui desmorone. Então, Álvaro, acerta com o Rui Costa. Ele vai arrumar o dinheiro para você fazer a encosta aqui. É importante fazer enquanto tá inteiro, porque a chuva cada vez aumenta mais.”

Além disso, Lula reconheceu que não assinou em BH, na semana passada, o pacote de R$ 486 milhões previsto para corredores de transporte e ônibus elétricos, mas prometeu resolver em Brasília:

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“Eu queria assinar aqui, mas a minha assessoria decidiu que não era para assinar. Então, prefeito, vai a Brasília, acompanhado do Pacheco, deputados e vereadores, para apresentar o projeto e garantir esse recurso.”

Defesa de políticas sociais

O presidente reforçou que seu governo é voltado prioritariamente para os mais pobres. “Todos são iguais perante a lei, todos têm direito a estudar, morar, comer e cozinhar. Nós não fomos eleitos para governar para os mais ricos. Os ricos já têm muito dinheiro. Nós fomos eleitos para cuidar do povo mais necessitado deste país. Os ricos não precisam do país. O que falta nesse país não é dinheiro, é tratar o povo com respeito.”

Coração de mãe e promessa de continuar

Encerrando o discurso, Lula disse que governará sempre com prioridade para os mais vulneráveis.

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“Eu governo para todo mundo. Mas pode ficar certo que esse todo mundo, no meu coração, primeiro tá as pessoas mais pobres. Este coração aqui é como se fosse um coração de mãe. Uma mãe pode ter 10 filhos, ama todos, mas se tiver um fragilizado é aquele que ela vai tratar com mais carinho.”

Ele ainda falou sobre completar 80 anos em outubro e reafirmou que não vai parar. “Eu vou fazer 80 anos, mas vocês percebem que eu tô parecendo um jovem de 30 aqui. Sabe por quê? Porque eu tenho uma causa. Enquanto vocês existirem, eu estarei do lado de vocês para melhorar a vida do povo brasileiro.”

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Roberth R Costa

Atuo há quase 13 anos com jornalismo digital. Coordenador Multimídia. Rede 98 | 98 News

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