A menos de um mês do Carnaval, Belo Horizonte ainda enfrenta dificuldades para captar patrocínio privado para a realização da festa. Na avaliação da secretária de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Bárbara Botega, a limitação pode estar relacionada à mudanças no modelo de investimento adotado pelas empresas.
“Isso é histórico. As empresas hoje estão muito focadas nas leis de incentivo, tanto estaduais quanto federais”, afirmou em entrevista à 98 News, nesta terça-feira (13/1).
De acordo com a secretária, o uso desses mecanismos pode ser uma alternativa para reduzir a necessidade de aporte direto de recursos públicos. “Talvez utilizar melhor essas possibilidades possa garantir um apoio importante, sem um dispêndio tão grande do recurso público”, disse.
Botega mencionou o Réveillon realizado em Belo Horizonte como um exemplo de evento financiado por meio de leis de incentivo. Segundo ela, a experiência foi apresentada à nova gestão da Belotur como uma possibilidade para futuras edições do Carnaval. “Contei um pouco dessa experiência, entendendo como a gente pode partilhar essa forma de captação de recursos com a prefeitura”, declarou.
A secretária também avaliou que a legislação municipal influencia o interesse de empresas em associar suas marcas ao evento. “A legislação da cidade precisa ser melhorada para ficar mais atrativa para os anunciantes”, disse, ao comentar a necessidade de ajustes para ampliar as possibilidades de captação.
Carnaval da Liberdade
Apesar do cenário de restrições, o Governo de Minas afirmou que mantém apoio ao Carnaval de Belo Horizonte. Entre as ações previstas para 2026 está a continuidade das avenidas sonorizadas, iniciativa que concentra a infraestrutura e a transmissão do evento. “Hoje, o Carnaval de Belo Horizonte tem uma cobertura mais extensa, o que contribui para ampliar a visibilidade da festa”, afirmou a secretária.
Botega também destacou o impacto do Carnaval sobre atividades ligadas à economia informal e criativa, como o trabalho de ambulantes, catadores e profissionais da cultura. “Enquanto política pública, o Carnaval tem reconhecimento cultural, mas também movimenta uma rede econômica”, disse.
Em relação ao estado, a expectativa do governo é de crescimento moderado em 2026. Após reunir mais de 13 milhões de foliões e movimentar cerca de R$ 5 bilhões em 2025, a projeção é de aumento de aproximadamente 8% na movimentação econômica. Segundo a secretária, há indícios de mudança no perfil do público. “A gente percebe um público mais predisposto a gastar, não só na capital, mas também no interior”, afirmou.
Ela acrescentou que a política de descentralização do Carnaval, com adesão de mais de 400 municípios ao programa Carnaval da Liberdade, tem contribuído para distribuir os impactos da festa pelo estado, tanto na capital quanto em cidades do interior.
