Garis vinculados à empresa Sistemma, responsável por parte da coleta de lixo em Belo Horizonte, participam na manhã desta quarta-feira (21/1) da primeira reunião de conciliação desde o início da greve, que teve início na segunda-feira (19/1). O encontro ocorre na sede da empresa e conta com representantes da categoria e do sindicato.
Segundo os trabalhadores, a paralisação é motivada pelo descumprimento da legislação trabalhista e pela precarização das condições de trabalho. Entre as principais denúncias estão jornadas que chegam a 14 horas diárias, caminhões em más condições de uso e atrasos no pagamento de benefícios, como ticket-refeição e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Porta-voz do movimento, Thales Alves afirmou que a expectativa da categoria é encerrar o impasse ainda nesta quarta-feira. “A gente quer acabar com essa guerra, mas as condições aqui estão muito longe do mínimo aceitável”, disse. De acordo com ele, o FGTS não vem sendo recolhido regularmente e o ticket-refeição é pago com atraso.
Thales também relatou sobrecarga extrema de trabalho. Segundo o representante, cada caminhão chega a recolher cerca de 40 toneladas de lixo por dia, mas, em muitos casos, sai da garagem com apenas um ou dois coletores. “Tem gari que entra às 7h e só consegue ir embora às 22h. Isso é desumano. O Ministério do Trabalho precisa intervir com urgência”, afirmou.
Além das críticas à empresa, o movimento cobra uma atuação mais firme da Prefeitura de Belo Horizonte. Para os grevistas, o Executivo municipal estaria priorizando a coleta em regiões nobres da cidade, enquanto bairros periféricos seguem sem atendimento. “Estão maquiando o problema”, acusou Thales.
Por volta das 8h30, os trabalhadores foram chamados para o início da reunião, considerada decisiva para os rumos da paralisação.
A greve já provoca impactos visíveis na capital. Desde o início do movimento, ao menos 603 toneladas de resíduos deixaram de ser recolhidas. Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que montou uma operação emergencial para reduzir os efeitos da paralisação, com a mobilização de 308 garis e 47 caminhões.
O Executivo municipal afirmou ainda que não há atraso nos repasses às empresas responsáveis pela coleta e que as obrigações contratuais estão sendo cumpridas. A prefeitura disse reconhecer o direito de reivindicação dos trabalhadores, mas reforçou que os pagamentos às contratadas estão em dia.