A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) realizou nesta quinta-feira (22/1) uma reunião estratégica com representantes das regionais administrativas para acelerar o projeto de requalificação do Centro e bairros adjacentes. O secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro, comentou o encontro em entrevista à 98 News. Ele aponta o principal problema do desenvolvimento urbano da capital: “O grande drama das nossas cidades foi que as cidades foram se espalhando demais, elas foram se esparramando pelo território”.
Segundo o secretário, esse espraiamento obriga a população a realizar grandes deslocamentos diários, saindo de casa de manhã e voltando apenas à noite. A reunião de hoje busca justamente alinhar os esforços da gestão municipal para reverter essa lógica, trazendo moradores de volta para a região central, onde já existe infraestrutura consolidada.
Mobilidade
Durante a entrevista, Leonardo Castro rebateu a percepção comum de que a construção de novos prédios e a chegada de novos moradores ao Centro pioraria os engarrafamentos. Para a pasta de Política Urbana, o efeito esperado é, “na verdade, o contrário”.
“Quando a gente promove o adensamento populacional no centro da cidade, a gente está dizendo o seguinte: primeiro, estamos aproximando a moradia do trabalho, então a necessidade de grandes deslocamentos reduz”, explicou Castro.
O secretário reforçou que o Hipercentro concentra a principal infraestrutura de transporte coletivo da cidade, como o Metrô e o BRT. Ao incentivar a moradia onde já existe essa oferta, a PBH projeta que quem vive no Centro terá mais opções de mobilidade do que quem mora em bairros afastados, gerando um impacto positivo para toda a Região Metropolitana.
Projeto envolve cinco regionais
A reunião desta quinta-feira não se restringe apenas à área dentro da Avenida do Contorno. O projeto, pautado pelo Projeto de Lei nº 574/2025 que institui a Operação Urbana Simplificada (OUS), impacta diretamente cinco das dez regionais da cidade: Centro-Sul, Nordeste, Noroeste, Leste e Hipercentro.
Leonardo Castro destacou que a iniciativa engloba bairros que, embora estejam fora do hipercentro tradicional, possuem forte conexão com ele. Estão no radar da requalificação áreas como:
• Barro Preto
• Bonfim
• Lagoinha
• Concórdia
• Colégio Batista
• Parte da Floresta.
“Nós quisemos fazer essa aproximação com os representantes das administrações regionais, justamente para esclarecer, difundir e aprimorar o conhecimento dos membros da prefeitura em relação a esse projeto”, afirmou o secretário.
Galpões vazios e retrofit
O diagnóstico técnico apresentado pela PBH aponta um paradoxo: a região central tem a melhor infraestrutura, mas perde moradores e dinamismo econômico. O plano identifica desafios como barreiras urbanas (ferrovias e viadutos), degradação do patrimônio e a existência de cerca de 1.200 galpões subutilizados.
A proposta da OUS, com vigência prevista de 12 anos, visa combater a especulação imobiliária e reduzir a ociosidade desses imóveis através do Retrofit (modernização de edifícios antigos) e da construção de novas habitações, com prioridade para o programa Minha Casa Minha Vida.
Próximos Passos
A reunião desta quinta-feira serve como preparação para a fase de participação cidadã. Serão definidas as datas para que moradores, comerciantes e lideranças comunitárias possam contribuir com o projeto. A previsão da PBH é realizar novas rodadas de reuniões e debates ao longo dos meses de fevereiro e março.
“Queremos recuperar o dinamismo do Centro e dos bairros vizinhos… Isso só será possível com um planejamento que combine preservação, inclusão social e novos investimentos”, conclui Leonardo Castro nos documentos oficiais do projeto.
