A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) reuniu representantes das regionais nesta quinta-feira (22/1) para debater o plano de requalificação do hipercentro da capital. O foco principal é reverter o esvaziamento populacional da região e atrair novos investimentos imobiliários, especialmente através da modernização de prédios antigos.
A Rede 98 conversou com Renata Erculano, subsecretária de planejamento urbano, que detalhou os desafios e as propostas do Projeto de Lei 574/2025, atualmente em tramitação na Câmara Municipal.
Segundo Renata, o Centro e a região da Lagoinha sofrem com a decadência urbana há anos, um problema que não é exclusivo de BH, mas global. O diagnóstico da prefeitura é claro: o esvaziamento residencial impacta toda a cadeia econômica.
“Se a gente não tem gente morando… a gente acaba desenvolvendo um tipo de economia que tem dificuldade de se reinventar… Quando a gente tem gente morando, a gente tem mais condições de garantir a vitalidade dos espaços”, explicou a subsecretária.
A estratégia central é criar um pacote de incentivos para o mercado imobiliário, já que dados mostram que a região está em decadência econômica.
Retrofit
Um dos pontos chaves é o retrofit — a modernização de imóveis antigos. O parque imobiliário do centro tem média de 49 anos, com prédios que muitas vezes não comportam nem cabeamento de internet moderno.
Apesar de já existir uma lei de retrofit, Renata admite que ela teve baixa adesão — apenas um projeto aprovado até agora. O novo PL 574 busca ampliar esses incentivos para tornar a reconversão de prédios comerciais em residenciais (e vice-versa) mais atrativa.
Lagoinha
Para áreas adjacentes como Lagoinha, Bonfim e Carlos Prates, o desafio é a preservação de imóveis tombados em lotes pequenos. O instrumento atual de transferência do direito de construir (TDC) tem se mostrado ineficaz nessas regiões. O novo projeto propõe mudanças para facilitar a preservação e o uso desses espaços.
A subsecretária afirmou que já percebe uma movimentação de proprietários e do mercado interessados nas mudanças, mas reconhece que vencer o estigma de abandono do centro ainda será um longo caminho.
