O alerta foi dado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o Fórum Econômico Internacional, no Panamá, nesta quarta-feira (28/01). Lula apontou para a existência de “intervenções militares ilegais” na América Latina e no Caribe. Ele também criticou a falta de resposta dos organismos regionais e afirmou que o uso da força não soluciona as crises do hemisfério, alegando falta de convicção das lideranças.
O petista citou especificamente a paralisia da CELAC, organização que engloba todos os países da região. “A CELAC não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, disparou. A declaração ocorre no contexto da invasão dos Estados Unidos à Venezuela no início do ano, ação que resultou na prisão de Nicolás Maduro e que tem sido alvo recorrente das críticas do brasileiro.
Apesar do tom, Lula relembrou a “política de boa vizinhança” de Franklin Roosevelt, presidente dos Estados Unidos entre 1933 e 1945, que substituiu a intervenção pela diplomacia. Para o mandatário brasileiro, a atual divisão por zonas de influência e a disputa por recursos estratégicos representam “retrocessos históricos” e gestos anacrônicos.
Agenda em Washington e Conselho da Paz
As divergências e a segurança global serão debatidas presencialmente em março, quando Lula deve viajar a Washington para encontrar Donald Trump. Além de pautas econômicas, o brasileiro pretende abordar a situação da Venezuela e de Gaza. Trump convidou o Brasil para um Conselho da Paz sobre o tema, mas a adesão do país ainda não foi oficializada.
Finalizando sua posição sobre as turbulências internacionais, Lula declarou que o Brasil escolheu o caminho “da democracia e da paz”. Ele reiterou que a única batalha que deve ser travada pelas nações é contra “a fome e a desigualdade”, rejeitando a eficácia de soluções militares para os problemas sociais.
