O empate entre Atlético e Palmeiras foi agitado na noite desta quarta-feira (28/1), na Arena MRV. Com virada no placar, gols anulados, empate no fim e um duelo acirrado em busca dos três pontos, a partida teve diversos ingredientes. No entanto, após o apito final, o destaque acabou ficando com a atuação da arbitragem, comandada por Bruno Arleu de Araújo (RJ).
O árbitro foi muito criticado pela torcida atleticana, que reclamou do gol anulado de Cuello, no início do segundo tempo, e de um pênalti não marcado no atacante no fim da segunda etapa. Everson, goleiro do Galo, chegou a afirmar que o Atlético foi “claramente prejudicado” na partida.
Porém, do lado alviverde, a avaliação sobre a arbitragem foi outra. Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, optou por não criticar a atuação do árbitro e enfatizou as mudanças planejadas pela CBF para a profissionalização da arbitragem no Brasil.
“Para tudo é preciso um caminho, é preciso tempo. Mais do que criticar o que é feito ou não, o que eu sinto neste momento é que há uma vontade, por parte da CBF, de querer coisas diferentes, de querer mudar, de querer profissionalizar. Isso leva tempo. Não é porque nós vamos profissionalizar os árbitros que os erros vão acabar. Esqueçam. Os erros de arbitragem vão sempre acontecer. Não tem como”, afirmou.
Em outro momento, o treinador disse que, neste momento, “não há muito o que mudar” na arbitragem brasileira, mas enxergou como positiva a intenção da CBF em tentar transformar um setor que gera tantas críticas no futebol do país.
“Tem coisas que têm que melhorar, mas há coisas boas também. O que quero ressaltar é que as pessoas que têm o poder de decidir, transformar e inovar pelo menos parecem querer fazer isso. Para mim, isso já é algo muito positivo. O resto, nós não vamos mudar. Os árbitros são mais ou menos os mesmos, como os treinadores, como os jogadores. Há melhores treinadores, há piores. Há melhores árbitros, há piores.”
Por fim, Abel confessou entender que o sentimento “passional” no futebol brasileiro acaba atrapalhando a espera por essas mudanças, mas alertou que será necessário “aguentar o tranco” para que a realidade da arbitragem evolua no país.
“Já tenho anos suficientes aqui no Brasil para ser tão emocional, passional e, às vezes, irracional. É a paixão que temos pelo jogo. Mas é preciso dar tempo, paciência, aguentar quando vem o tranco e perceber que as pessoas que estão à frente, na minha opinião, estão fazendo o melhor que sabem para inovar. É isso que espero que façam.”
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O investimento da CBF
Nesta terça-feira (27/1), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou o projeto de profissionalização da arbitragem no futebol brasileiro, inicialmente restrito à Série A do Campeonato Brasileiro.
O novo sistema estabelece salário fixo, valores variáveis por partida e bonificações por desempenho. Para viabilizar o modelo, a CBF prevê um investimento de R$ 195 milhões no biênio, um aumento de R$ 50 milhões em relação ao ciclo anterior.
Entre as principais mudanças, o projeto prevê a criação de contratos de prioridade para 72 árbitros e assistentes da Série A, com a implantação de salário fixo, bonificação por desempenho individual ao longo da temporada, avaliações trimestrais e até mesmo a possibilidade de rescisão unilateral por parte da CBF em casos de erros repetidos.
