O Carnaval é tempo de festa e alegria, mas também de atenção redobrada com a saúde. Entre sol forte, consumo de álcool, alimentação na rua e contatos próximos, especialistas alertam para cuidados simples que fazem toda a diferença para curtir a folia sem sustos.
Doença do beijo e aumento de infecções virais
Uma das infecções que costuma aumentar durante o Carnaval é a mononucleose, conhecida popularmente como doença do beijo. Segundo a infectologista Melissa Valentini, do Lab to Lab Pardini, a transmissão não ocorre apenas pelo beijo.
“O contato próximo, como falar muito perto, cantar, além do compartilhamento de copos e talheres, também pode transmitir o vírus”, explica.
Mais de 90% dos adultos já tiveram contato com o vírus ao longo da vida, mas, nessa época do ano, a transmissão é mais comum entre adolescentes e adultos jovens. Os principais sintomas são dor de garganta, febre e ínguas no pescoço. Apesar de o quadro poder ser mais prolongado em alguns casos, a recuperação costuma ser rápida.
ISTs: prevenção é fundamental
O período pós-Carnaval também costuma registrar aumento nos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, HIV, gonorreia e clamídia.
“A principal forma de prevenção é o uso do preservativo. Mesmo o sexo oral pode transmitir algumas dessas infecções”, alerta a Dra. Melissa.
Em casos de relação desprotegida com risco para HIV, a orientação é procurar rapidamente um serviço de saúde para iniciar a profilaxia pós-exposição (PEP), que deve começar o quanto antes, preferencialmente nas primeiras horas e, no máximo, até 72 horas após a exposição.
Já para outras ISTs, a recomendação é ficar atento a sinais como feridas, secreções ou lesões genitais e buscar atendimento médico ao primeiro sinal de alerta.
Alimentação e bebidas: atenção redobrada
O toxicologista Álvaro Pulcinelli, diretor técnico da Toxicologia Pardini, destaca que muitos problemas de saúde no Carnaval estão ligados à alimentação inadequada.
“Prefira comidas leves e tenha cuidado ao consumir alimentos na rua. É importante escolher locais com boas condições de higiene para evitar intoxicações alimentares”, orienta.
Ele também recomenda evitar alimentos muito perecíveis, como frutos do mar frescos, que oferecem maior risco de contaminação.
Álcool com moderação e hidratação constante
O consumo excessivo de álcool é outro ponto de atenção. Além da moderação, Pulcinelli alerta para a procedência das bebidas.
“Ainda existem casos de bebidas contaminadas com metanol. Por isso, é essencial comprar apenas de fornecedores conhecidos e de confiança.”
Para reduzir os riscos, a hidratação deve ser constante. A orientação é intercalar o álcool com água, água de coco ou sucos, refrigerantes não são indicados para hidratar.
Além disso, alimentos oleosos de origem vegetal, como frutas secas ou preparações com azeite, ajudam a retardar a absorção do álcool. Gorduras de origem animal devem ser evitadas.
Sol forte, vacinas e doenças respiratórias
O epidemiologista José Geraldo Leite Ribeiro, do Hermes Pardini, reforça que a hidratação é ainda mais importante nos dias de calor intenso.
“O uso de protetor solar e a ingestão constante de líquidos são essenciais, especialmente porque álcool e energéticos contribuem para a desidratação”, afirma.
Ele também chama atenção para as doenças respiratórias, que se espalham com facilidade em ambientes lotados, como gripe, vírus sincicial respiratório e até doença meningocócica.
“Manter as vacinas em dia, de acordo com a faixa etária, é uma medida fundamental de proteção”, destaca.
