Minas Gerais registrou redução nos principais indicadores de criminalidade durante o Carnaval 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (19/2) pelas Forças de Segurança do estado e consideram o intervalo entre 0h de sábado (14/2) e 23h59 de terça-feira (17/2).
De acordo com o Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), houve queda ou estabilidade em crimes como roubo, furto, roubo e furto de celulares, homicídio, feminicídio, estupro e estupro de vulnerável.
Queda nos roubos e furtos de celulares
Um dos destaques do balanço foi a redução nas ocorrências envolvendo celulares. Em Minas, os roubos desses aparelhos caíram 55,7%, passando de 88 casos em 2025 para 39 neste ano. Em Belo Horizonte, a redução foi ainda maior: 71,4%, com os registros passando de 63 para 18.
Os furtos de celulares também apresentaram diminuição expressiva. No estado, a queda foi de 65,6% (de 1.681 para 579 registros). Na capital, os casos passaram de 1.382 para 406, redução de 70,6%.
Considerando todos os tipos de roubo, Minas Gerais registrou 86 ocorrências neste Carnaval, contra 172 no ano anterior, redução de 50%. Em Belo Horizonte, os casos caíram de 94 para 34 (63,8%). Já os furtos tiveram queda de 52,9% no estado (de 3.490 para 1.645) e de 62,9% na capital (de 1.950 para 723).
Homicídios e crimes contra mulheres
O número de homicídios também apresentou retração. Em Minas, os casos caíram 48,3%, de 29 para 15. Em Belo Horizonte, foram dois registros, frente a quatro em 2025.
Nos crimes relacionados à violência contra a mulher, a capital não registrou casos de feminicídio nem de estupro de vulnerável durante o período da folia. Em 2025, haviam sido contabilizados um feminicídio e sete estupros de vulnerável em Belo Horizonte.
No estado, os registros de estupro de vulnerável caíram 41,7% (de 48 para 28). Os casos de feminicídio passaram de quatro para três, redução de 25%. As ocorrências de estupro diminuíram 19% em Minas (de 21 para 17), enquanto em Belo Horizonte o número permaneceu em três casos nos dois anos.
Já os registros de importunação sexual apresentaram comportamentos distintos: na capital houve queda de 25% (de 12 para nove), enquanto no estado houve aumento de 33,3%, passando de 42 para 56 casos. Segundo análise do Observatório de Segurança Pública, o crescimento pode estar relacionado à ampliação de canais de denúncia e incentivo ao registro das ocorrências.
Atuação das forças de segurança
Durante o Carnaval, a Polícia Militar de Minas Gerais informou que empregou todo o efetivo disponível, com reforço no patrulhamento em áreas urbanas, rodovias e locais de grande concentração de público. Ao todo, 3.797 pessoas foram presas no estado, sendo 3.300 em flagrante.
Também foram cumpridos 213 mandados de prisão, realizadas 62 prisões com auxílio de reconhecimento facial e registradas detenções por descumprimento de medidas protetivas.
Foram apreendidas 173 armas e porções de drogas, além da recuperação de 48 celulares. A corporação utilizou recursos como drones com câmeras inteligentes, reconhecimento facial, leitura automática de placas e apoio aéreo.
A Polícia Civil de Minas Gerais reforçou o atendimento nas delegacias de plantão e instalou estruturas especiais em Belo Horizonte, como a Delegacia de Eventos e Proteção ao Turista (Deptur), no entorno da Praça da Liberdade, e uma delegacia móvel na Praça 7. Também houve incentivo ao uso da Delegacia Virtual para registro remoto de ocorrências.
Ações de prevenção e acolhimento
Entre as iniciativas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher esteve a criação da Cabine Rosa, estrutura da Polícia Militar voltada ao atendimento especializado de vítimas de importunação sexual e assédio. Foram realizados 145 atendimentos, que resultaram em 29 prisões por importunação sexual.
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social promoveu ações de conscientização em 73 municípios, com distribuição de materiais informativos e capacitação de agentes públicos e representantes de estabelecimentos comerciais. Em Belo Horizonte, foi montado o Plantão Acolhe Minas para atendimento psicossocial e orientação jurídica.
Bombeiros e atendimentos
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais atendeu 2.259 ocorrências no estado durante o Carnaval, sendo 866 relacionadas diretamente à folia, número 26% menor que em 2025. Foram realizados 321 atendimentos pré-hospitalares e 33 salvamentos.
Em relação aos afogamentos, nove mortes foram registradas no período, mesmo número do ano passado, mantendo-se dentro da média histórica recente. Ao todo, 23 pessoas foram salvas em situações de afogamento.
Nos acidentes de trânsito, houve redução de 14% no estado (de 260 para 224 ocorrências) e de 24% em Belo Horizonte (de 17 para 13 registros).
